Quando os papeis se invertem...

5.3.18



Aprender um desporto novo em idade adulta tem muito que se lhe diga. Foi o que me aconteceu no ano passado quando aprendi a fazer ski. E, como acontece, frequentemente, com muita gente, passei o primeiro dia a aprender a travar, a manter-me de pé e a levantar-me com os skis nos pés (ou seja, a cair!). Não precisei de chegar ao final do dia para ter vontade de desistir. Muitas vezes. Mas não podia ser – na manhã seguinte, lá estávamos nós para mais um dia nas pistas. A minha filha mais velha olhou para mim e deve ter percebido que eu estava com a sensação de que o dia ia ser longo. E que não tinha vontade de repetir o dia anterior. Então perguntou-me: ‘Posso ensinar-te, queres?’ Olhei para ela como se alguém tivesse descoberto o que precisava sem que o tivesse verbalizado. Precisava que alguém me levasse pela mão e então disse-lhe logo que sim! E a magia aconteceu. Ela seguiu à frente e disse-me, simplesmente, ‘Faz como eu! Confia em ti e em mim porque vou mostrar-te como é!” Andámos o dia todo juntas. Ao fim de uma hora já me aguentava em cima dos skis, já conseguia parar a meio de uma descida e começar a perceber porque é que tanta gente gosta deste desporto. A minha filha usou todo o seu poder pessoal para mostrar o que de melhor tem nela. Soube ter a paciência para me ensinar, para não me deixar desistir e de me ajudar a evoluir. O Daniel Siegel, que entrevistamos no especial desta edição, diz-nos que os adolescentes não são imaturos e que esta não tem de ser uma fase má. Pelo contrário, é um período muito importante da construção da pessoa. Quando conseguimos identificar o nosso poder pessoal e fazemos uso dele, percebemos melhor quem somos e desafiamo-nos a ir mais longe. Sentimo-nos bem na nossa pele, confiantes, tendo, simultaneamente, a noção de que podemos continuar a aprender para que esse poder seja ainda melhor. Para isso precisamos de reorganizar a forma como olhamos para os nossos jovens. Esta revista é exatamente sobre a fase absolutamente incrível que a adolescência pode ser. Queremos mostrar-te isso para que não tenhas medo dela. Mais, queremos que ajudes o teu filho a descobrir todo o seu poder pessoal! 




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