E de repente não conheço mais o meu filho: Adolescentes!

27.5.16


‘Os teus pais são aqueles que mais gostam de ti e que querem o melhor para ti’

Estou convencida que a maior parte de nós ouviu esta frase, de forma recorrente, durante a sua própria adolescência. E alguns de nós teremos respondido com um bater de portas ou um cínico ‘Vê-se!’

Hoje, à distância, percebo o bater de portas e também percebo as intenções dos meus pais.

Eles queriam que eu soubesse que, mesmo que aquela decisão não me interessasse, era a melhor para mim. Eu, do meu lado, sentia que não era tida nem achada na equação e por isso ficava revoltada e batia com as portas (e os pés!).

Talvez a melhor forma de me fazer escutar e conseguir descodificar um qualquer adolescente passará pelo uso da empatia - que é a capacidade que eu tenho (eu!!) de me colocar no seu lugar. Por isso mesmo, não posso iludir-me e pensar que ele vai ser capaz de pensar da mesma forma que eu só porque eu irei fazer prova de empatia e paciência. Isso vai ajudar, sem dúvida, mas os milagres parecem acontecer apenas em Fátima.

Empatia e paciência pressupõem também respeito pelo jovem e impõe que tudo o que seja um discursos humilhante e com foco no sentimento de culpa sejam retirados da equação. Os adolescentes podem ser totós em muitas coisas mas no que diz respeito ao respeito… têm altas expectativas!


1. Envolver o jovem na tomada de decisões

E ensiná-lo a respeitar o acordo. Como?

‘Então não tínhamos um acordo? Tínhamos decidido em conjunto que podes jogar com o tablet ao fim-de-semana. Hoje é quinta-feira. O que aconteceu?’


2. Pica-se o ponto ao jantar

A hora do jantar é aquela que não é negociável - e deve acontecer com a máxima regularidade. Sem gadgets, tv. Só família, música boa e partilha! Tem filhos pequenos? Comece já com este ritual!


3. Envie-lhes uma sms para virem jantar

Vamos usar a tecnologia a nosso favor, q.b. Aposto que vão chegar a horas à cozinha para ajudarem a pôr a mesa.


4. Plante os afectos

Com beijinhos, moches ao pai, dançando, massajando a cabeça ou com abraços bons! Sabe que um abraço para ser bom, tem de durar pelo menos 6 segundos para que o seu efeito chegue ao cérebro? Então abrace!


5. Os castigos e as palmadas vão funcionar cada vez menos

E apenas vão criar a revolta tão típica nesta idade. Prefira responsabilizá-los pelas suas decisões (o castigo não tem directamente a ver com a situação mas a responsabilização já tem).


6. Ganhe cooperação
Queira filhos que cooperam em vez de obedecerem. E nós só cooperamos quando nos sentimos próximos uns dos outros.


7. Vínculo
Invista na sua relação com os seus filhos - o vínculo é a qualidade da relação que criamos com eles e eles connosco.


8. Escute mais

‘Claro que escuto os meus filhos! Ainda ontem ela fez uma asneira e eu estive a explicar-lhe com toda a calma o que é suposto acontecer e ela prometeu que nunca mais ia repetir. E sabe o que aconteceu? Hoje de manhã fez igual.’
Se esta é uma situação comum na sua vida, releia a frase e responda a esta questão: Quem é que escutou quem?


9. Façam programas juntos
Não os leve apenas à natação ou à explicação. Vá andar de bicicleta com eles, programe uma festa surpresa para o pai e uma ida a um concerto ou a uma festa popular. É impressionante que depois de umas saídas deste género, eles passam a escutar mais e melhor. Experimente!


10. Humor
O sentido de humor é determinante para que os nossos filho se sintam mais ouvidos e para que queiram estar por perto - logo, que desejem ouvir.


11. Reclame menos
Há muito pouca paciência para estar próximo daqueles pais (e pessoas) que estão sempre a reclamar. E temos alturas em que abusamos! ‘Sim, meu amor, a tua cama está bem feita mas este edredon bem que podia ter ficado mais esticado.’ Corrigir é importante, claro que é, mas há alturas em que podiamos falar menos, sorrir mais com os olhos e ficarmos satisfeitos com algo que eles fizeram para (também) nos agradar


12. Empatia
Comecei pela empatia e deixei-a para o fim. É a capacidade que temos de nos colocarmos no lugar dos outros. Eu entendo que o meu filho possa não aceitar esta decisão que tomei. E também lhe posso dizer que sei que ele a sente como injusta e que não é porque ele está chateado comigo ou porque bateu com a porta que eu vou mudar de ideias. Depois? Depois deixe-o ficar - ele tem (e precisa) do seu espaço.



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