Quando os avós desautorizam e estragam... A Praça | RTP 16 Fev 2016 | Programa #17

1.3.16



























Quando falamos sobre avós, netos e famílias podemos cair nos clichés e nas generalizações quando, na verdade, é um tema cheio de excepções.

Quando coloquei no Facebook que ia falar sobre este tema, a maior parte das pessoas pediu que comentássemos ao nível dos conflitos, o que é natural porque quando está tudo bem, as questões não se colocam.

As questões prendem-se com o
E quando os avós desautorizam
E quando os avós estragam


Mas é preciso ver mais longe do que a simples desautorização ou estragar os miúdos. Peço-te que continues a ler o texto :)


Primeiro diz-se que os avós estragam os miúdos mas, na verdade, há um motivo bom para o fazerem porque os avós sabem destas coisas e têm mais experiência que os pais.

Os pais, sobretudo os de primeira viagem, e que nunca andaram nisto têm - e fazem muito bem - imensas ideias e ideologias e regras para os seus filhos. E tem mesmo de ser assim. Os avós, que já passaram por tudo isto sabem que, apesar das regras e das ideologias, tudo se cria e que, no final do dia, o que conta são as emoções e as experiências vividas. Os avós têm a sorte de terem a parte boa da equação e que é educar estar com os miúdos sem ter de colocar as regras e os limites - porque isso é a função dos pais. Isso é lá ‘com eles’.


Só que aqui é que entra uma parte que não foi ainda definida e que é : qual é o papel dos avós?

Guardar, cuidar, educar?

É diferente de família para família mas, em todas as famílias estes três pontos estão mais ou menos presentes. E um avô também está a educar, quer queira quer não porque é uma referência para os miúdos e a forma de fazer a sua vida é, já em si, uma forma de educar.

Então é preciso clarificar os papeis e expectativas. E não é nunca no calor do momento.

É importante explicar porque é que é importante a criança não comer doces antes do jantar - simplesmente porque depois não terá vontade de comer o que lhe puserem em cima da mesa. Ou porque tem uma intolerância.

E sim, é difícil dizer que não aos netos, sobretudo quando eles picam os miolos ou choram mas quando há boa vontade e vontade de conciliar, tudo se encaixa.

Uma avó não é uma mãe e é justo que os pais queiram traçar o caminho para os seus filhos. Os avós devem estar alinhados nesse compromisso de ajudarem os seus filhos e isso não é nunca uma tarefa fácil. A generation gap continua a existir.


Os avós também gostam de desautorizar
Primeiro é preciso saber que não o fazem por mal. Opinam muito mas é na maior das boas intenções. Aliás, o provérbio está certo quando diz que o inferno está cheio de boas intenções porque nem sempre elas acertam.

Os avós desautorizam porque insistem em verem os filhos como eternos filhos, os seus meninos e então sentem-se no direito de opinarem, mesmo que isso signifique contrariar o que se acabou de dizer.
Os avós desautorizam porque sentem que os netos são seus e logo também querem dizer de sua justiça.
Os avós sabem que as regras são importantes mas sabem que no fim, as coisas correm o risco de correrem bem.
Os avós desautorizam porque querem que os netos gostem muito deles e por isso é fazendo as vontades que lá se chega.


E os pais?
Os pais ficam aborrecidos e até furiosos com os seus próprios pais porque é muito desagradável ser-se desautorizado pelos pais e pelos filhos quando dizem que na casa dos avós é que é!

É um papel difícil estar no meio - porque supostamente não se diz mal dos avós e não se contrariam os pais mas depois é difícil gerir todos estes papeis e sentimentos.

E quem dita as regras?
Esta parece uma questão difícil mas voltamos à mesma questão... Identificar os papeis de cada um.
Quando está a avó, a avó orienta e faz o melhor que sabe e pode. No entanto, quando chegam os pais, e mesmo na presença dos avós e de outros familiares, quem manda (who's the boss?) são os pais. Este ponto tem de ficar claro para que se possam evitar conflitos e se caminhe para uma harmonia familiar.

Em 12 minutos é muito difícil explorar o tema porque isto joga com papeis atribuídos e dinamicas familiares. Mas deixando uma dica é muito interessante procurar qual é a boa intenção da pessoa - mesmo se isso seja a última coisa que consigamos ver.

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3 comentários:

  1. Magda, muitos parabéns por ser tão serena e ponderada e isso ajuda a ajudar os outros. Quando no Facebook deixei o meu comentario sobre este tema, tinha já vários outros e de facto deixou-me triste perceber que poucos enalteciam o papel dos avós e a importância deles na vida dos nossos filhos. Claro que nem sempre é facil a "desautorização" que se sente, mas sabendo encontrar o equilibrio, os avós têm esse direito e já têm outras maturidades na educação dos netos que nós ainda não temos..Mas chegaremos lá... Obrigada!

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  2. Magda, muitos parabéns por ser tão serena e ponderada e isso ajuda a ajudar os outros. Quando no Facebook deixei o meu comentario sobre este tema, tinha já vários outros e de facto deixou-me triste perceber que poucos enalteciam o papel dos avós e a importância deles na vida dos nossos filhos. Claro que nem sempre é facil a "desautorização" que se sente, mas sabendo encontrar o equilibrio, os avós têm esse direito e já têm outras maturidades na educação dos netos que nós ainda não temos..Mas chegaremos lá... Obrigada!

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  3. Bom dia,
    No meu caso, são os meus pais que ficam com o meu menino enquanto trabalho. Ele ainda só tem 7 meses, daqui a algum tempo vai começar a gatinhar, andar, falar e afins e aí é que vou saber se vai haver este tipo de conflitos. Pois não sei se os meus limites vão ser iguais aos limites que os avós lhe iram dar. Possivelmente não serão muito diferentes, diz-se que nós educamos os nossos filhos como os nossos pais nos educaram a nós e bem foram eles que me educaram e não noto que tenham mudado assim tanto de mentalidade para agora reagirem de maneira diferente mas lá está, eu sou filha e ele é o neto... E se ele gosta dos avós :-D

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Obrigada por leres e por comentares!
Todos os comentários são bem-vindos excepto os que 'berram alto'...Esses são, naturalmente, eliminados!

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