É neste ano que percebemos que os nossos filhos já estão tão crescidos… | Porto Editora

19.10.15





Senti-me adolescente ali por volta dos meus 15/17 anos. Se a memória não me falha, foi mais ou menos nessa altura que comecei a responder aos meus pais, a argumentar e a revirar os olhos de forma abusiva. Mas, hoje em dia, com 9 ou 10 anos, os nossos filhos já parecem estar em cheio a meio da adolescência.



Não nos deixemos enganar! Os nossos filhos são grandes, alguns mesmo mais altos do que nós, mas ainda são crianças e precisam tanto da nossa orientação... Não, não vale mesmo a pena pensarmos o contrário! E se é verdade que eles argumentam bem, se é verdade que fazem muitas perguntas (daquelas de deixar corada a mãe mais "à frente"), também é verdade que, na base, ainda há uma imaturidade que se quer e se deseja porque só ela é construtora. Talvez seja bom lembrar-me que não vale a pena querer correr com o tempo, antecipar-me às questões todas porque, quando olho para trás, percebo que ainda ontem nasceram.



Vale a pena, em vez disso, desacelerar, criar um maior vínculo com os meus filhos e ajudá-los a criarem as bases para a fase que vem a seguir: a adolescência!



Hoje, o Manuel vinha com a história que, por mudar de escola e de ano, todos os colegas estavam a dizer que iam receber um telemóvel. Eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, iria sentir a pressão do pedido. Enquanto andaram na primária era um disparate enorme mas, agora com 10 anos, parece que virou moda oferecer telemóveis aos miúdos. Faz sentido no caso daqueles que vão sozinhos para a escola, que saem cedo de casa e regressam tarde. Agora no caso dos miúdos que vão de carro e cujos pais ainda têm que esperar por eles à porta da escola… Tenho muitas dúvidas. Penso que serve mais de brinquedo moderno, para envio de fotos, comentar nas páginas das redes sociais e enviar mensagens. E estarem integrados. Na minha altura eram as pacific sud – agora são os telemóveis.



Por outro lado, o poder regulador que eu tenho em casa com os meus filhos (e que pode passar por limitar o uso do wi-fi) não existe nas escolas onde o acesso à net pode ser livre. As notificações caem, distraem os alunos das aulas, dos trabalhos de grupo, do estudo. Lembro-me de ter dado explicações a uma adolescente, há uns anos. E lembro-me de corrigir trabalhos dela que tinham sido feitos com a companhia das SMS que enviava aos amigos. Um desastre! Em conversa com a mãe, decidimos que no período em que estudava não tinha acesso ao telemóvel nem à internet. Conclusão: as notas voltaram a subir. Pois não foi preciso um grande milagre – apenas foco.



Confesso que uma das coisas que mais me assusta é a incapacidade que temos, todos e sem exceção, em nos focarmos no que estamos a fazer. E o foco é fundamental nesta idade – para quê? Para continuarem a consolidar as aprendizagens que fazem na escola porque estes próximos anos são determinantes para que possam, a seguir, decidir o que querem estudar.



E se é verdade que ainda não decidimos se o Manuel vai ter (já!) um telemóvel ou não, sabemos que este ano vamos investir muito mais no tempo que passamos em conjunto. Eu sei que eles já têm amigos, que já podem dormir na casa uns dos outros, que já são autónomos em muitas coisas. Mas a verdade é que é a partir de agora que eles começam a afastar-se de nós e por isso, em vez de andarmos sempre com o papel de polícia, queremos resgatar o papel de pais – daqueles que são porreiros, claro, e também daqueles que ainda lideram o caminho, que ensinam os valores mais importantes da vida, que estudam com eles e mostram como a matéria aprendida pode ser aplicada no dia a dia!



Nestes próximos 3 anos, e antes do Secundário, queremos que os nossos filhos sintam que podem ser quem desejam ser porque, e apesar do lugar-comum, nós vamos estar lá sempre. E com esta proximidade desejamos que eles criem asas, seguros de quem são, seguros que em nossa casa estão os pais, de braços abertos, disponíveis para os ajudar.



Nestes próximos 3 anos, a escola vai formar os nossos filhos e nós, cá em casa, vamos formar cidadãos, com um lado humano muito forte, curiosos e que partilham, connosco, aquilo que mais gostamos: a música, o gosto pela leitura, pela natureza, pelos afetos! Como é que se faz isto tudo? Vivendo, com eles, e no dia a dia, a partilha de todas estas experiências.



Já ouvi dizer que dá trabalho mas tenho a certeza que vou gostar tanto! E começa já em setembro! Ena!

1 comentário:

Obrigada por leres e por comentares!
Todos os comentários são bem-vindos excepto os que 'berram alto'...Esses são, naturalmente, eliminados!

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