'Descobre a cabra secreta que há em si'

10.3.15


“Sabes, eu não sou como tu. Eu tenho calma e não digo as coisas assim. Tu és mais conflituosa, dizes o que pensas. Mas eu, eu não procuro problemas”.

Fiquei parada enquanto digeria o português da frase. Colocar-me a etiqueta de conflituosa porque digo o que penso não deixava de ser curioso – eu teria adjectivado com um “corajosa” mas, lá está, somos todos diferentes. E depois a última frase dela, como a dizer que, em justa oposição, e por dizer a verdade, estaria à procura de problemas. Não deixa de ser interessante os nomes que chamamos às coisas.

A nossa forma de ser é muito diferente, sempre foi. Mas, ao contrário do que ela ainda pensa hoje, eu não procuro problemas – não tenho é possivelmente tanto medo deles – de dizer o que penso, quando penso. Mas talvez também comece a ser cada vez mais verdade que, com o passar dos anos, tenha aprendido a aceitar as opiniões dos outros e a não sentir tanta necessidade de os convencer do meu ponto de vista. Parece óbvia a conclusão mas, na prática do dia-a-dia, não é tanto assim.

“Se eu sou firme, ambiciosa e sei exactamente o que quero, e se isso faz de mim uma cabra, tudo bem”, já dizia a Madonna, que não se mete com ninguém e que faz a vida dela como acredita que tem de ser, fiel ao que ela é. Cabra ou conflituosa – é apenas uma questão de escolha de palavras. Mas é uma liberdade que eu aprecio – a de ser autêntica.

Se a expressão da Madonna choca, talvez choque mais o título do livro de capa amarela, que dá nome à crónica desta semana Descubra a cabra secreta que há em si.

O livro é inteligente – a começar pelo amarelo da capa e pelo nome, que chama logo por ti. É escrito para mulheres e dá-nos pistas, de uma forma muito clara e prática, de frases para sermos mais assertivas. É divertido e dá-te vontade de teres, já amanhã, uma prima que vai de férias um mês a pedir-te para ires dar de comer aos gatos dela durante a sua ausência. Sim? Estás a ver? Pois o livro ensina-te a descalçares esta bota com engenho e sentido de humor (sim, obrigatório e nada teórico!).

E o que é que isto tudo tem a ver com Educação e Parentalidade Positiva? Tudo! Porque a primeira Regra diz Pais Felizes = Filhos Felizes. E a seguir porque a maior parte dos pais deseja que os filhos sejam assertivos quando eles próprios não o são nem o sabem ser. E portanto não podem ensinar como é que se faz.



É frequente usar-se a palavra assertivo sem se acertar no que realmente a palavra significa. É comum ouvir-se “fui assertivo com ele” quando na verdade se quer transmitir “disse-lhe poucas e boas”. Mas assertividade nada tem a ver com o outro. Tem tudo a ver connosco.

Quando és assertiva, dizes a tua verdade, és corajosa. Implica que assumas as tuas vontades e desejos e te ponhas à frente, sem teres de agredir o outro, num acto egoísta mas justo (sim, egoísta e justo!).

Se é fácil? Claro que não! É uma questão de treino, mas é sobretudo uma questão de te autorizares a passar à frente. Dependes apenas da tua autorização.

A forma como o outro vai lidar com o que lhe dizes – sem agredires – mas falando a tua verdade – é com ele. Isso já não podes gerir. Se isso vai fazer de ti uma cabra? Pois, não sei…

Mas se desejas que o teu filho também seja assertivo, convém que revejas a tua própria assertividade… e já agora que possas ler o tal livro de capa amarela.

1 comentário:

  1. Li este livro há uma série de anos, quando foi lançado e lembro-me que na altura foi uma pedrada no charco. Também sou de fazer o que quero e não ligar muito ao que os outros pensam, mas talvez seja boa ideia relê-lo, agora com mais uns aninhos e alguma experiência.

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