REVISTA SÁBADO - PARTE 2 - PASSAR FÉRIAS EM SEPARADO: SIM OU NÃO?

28.8.14



És capaz de ter lido o artigo da jornalista Susana Lúcio, na revista Sábado desta semana.
Estas foram as questões que recebi. E estas foram as respostas que lhe enviei.
Neste artigo também encontras a Ana Lemos com o exemplo de férias em separado que faz, com as 3 filhas.


1. Porque é que os momentos privados criados para cada um dos filhos é importante?
É frequente ouvir-se de pais com mais do que um filho algo como ‘os meus filhos são tão diferentes’. Daí que seja importante que possamos olhar, com olhos de ver, para essas diferenças e assumi-las como características de cada um dos miúdos. Há um dito popular que diz ‘Eduquei os meus dois filhos de forma igual e um saiu-me doutor e outro drogado.’ Esta é a prova que educar de forma idêntica pessoas diferentes é renunciar a autenticidade de cada uma delas, e com alguma possibilidade condenar,pelo menos uma delas à infelicidade.

Por este motivo recomendo aos pais com quem trabalho que possam fazer, pelo menos uma vez por mês aquilo a que se chama o dia do filho único. Nesse dia [ou meio dia] o filho pode apreciar os momentos exclusivos com os pais[ou só com a mãe ou só com o pai] e fazerem todos uma actividade que o filho aprecie [a ideia não é levá-lo a um sítio e ir busca-lo 2 h depois – a ideia é que estejam todos juntos].. Simultaneamente, os pais têm imenso prazer nestes momentos. Muitos confessam que já tinham esquecido como era tão bom estar com cada um dos filhos e que notam que, por sistema, os filhos estão mais serenos nesses momentos e nos momentos seguintes. Nestes momentos os miúdos não se sentem em competição com os restantes irmãos. Competição não significa ciúmes. Significa apenas que competem pelo tempo que os pais dedicam a cada um dos filhos o que, numa linguagem mais emocional significa amor.

Em relação às férias em exclusivo com cada um dos filhos, estas acontecem nas famílias mais modernas, onde os pais também querem partilhar uma actividade com um dos filhos ou querem descansar, apenas, e isso torna-se mais fácil só com um.Sabem que estarão mais relaxados e poderão dedicar todo o tempo e toda a atenção áquele filho. A situação das férias em exclusivo é uma ideia um pouco diferente do dia do filho único. É aproveitar a ocasião, normalmente quando um dos filhos é muito pequenino para também participar numa ida a um parque temático, por exemplo, e saírem da rotina, em família.



2. Há uma faixa etária onde estes momentos se tornem importantes?As férias em separado não me parecem ter faixas etárias. Acontecem sobretudo quando uma das crianças é pequenina. Quando fica mais crescida já passa a acompanhar a família.



3. Este afastamento entre irmãos pode resolver situações de ciúmes ou piorá-la?
Não lhe sei dizer – cada caso é um caso… Para resolver a situação dos ciúmes, vejo mais sucesso na situação do ‘dia do filho único’. Repare, os irmãos são pessoas que vão viver juntas, na mesma casa, até à idade adulta. É importante que enquanto pessoas que vivem juntas possam saber conviver uma com a outra. Ir de férias em separado, numa altura em que há uma crise de ciúmes, talvez não seja a melhor ideia. Se o objectivo é que se dêem, então eu apostaria numas férias com experiências positivas para toda a família – pais e filhos – até porque ter filhos em situações de conflito, ainda que aconteça, pode ser esgotante para os pais. Se vai continuar a haver ciúmes? De certeza mas esta é a nossa família e estes são os nossos filhos. Se não ajudamos a resolver a situação, quem vai fazê-lo? Ao longo do ano apostaria em trabalhar a relação, envolveria cada uma das crianças no processo, reforçando as características de cada uma e o respeito pelas diferenças. Com frequência faria o dia do filho único e pediria ajuda a quem trabalhe estas questões também. Por vezes uma visão exterior e imparcial é a ajuda necessária.



4. Como é que os pais devem explicar a separação às crianças?
Quando estas saídas fazem parte da rotina familiar e se inserem nos seus valores, então a situação é simples. Normalmente a decisão é tomada de um ano para o outro [quando se decidem as férias], e por isso há muito tempo para preparar a saída. Mas mesmo que não haja, e se os pais estão tranquilos com a situação, dizem a verdade ao filho que fica – mesmo que seja muito pequenino. Dizem-lhe que vai ficar com os avós durante x dias e que durante esse tempo ele vai fazer determinadas actividades ou manter a rotina. Por se tratarem de crianças pequeninas, na maior parte dos casos, um suporte visual é importante e ajuda a que a criança que fica tenha mais segurança e controlo nos seus dias. Gosto muito da ideia de elaborarem em conjunto com ela uma espécie de horário semanal com as actividades que ela vai fazer em cada um dos dias. Prometer que ela se vai divertir com os avós e que só não a levam porque as crianças mais pequenas não podem ir tem de ser dito. Finalmente, responder a todas as questões com normalidade [ a criança muitas vezes tem apenas curiosidade ou precisa que lhe repetiam várias vezes], não mostrar ansiedade e não insistir em falar com ela ao telefone, se ela não quiser, é importante também.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Obrigada por leres e por comentares!
Todos os comentários são bem-vindos excepto os que 'berram alto'...Esses são, naturalmente, eliminados!

linkwithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Share