Pela boca morre o peixe [ou como o que comemos influencia quem somos!]

21.1.14
Já há imenso tempo que queria escrever sobre este assunto. 

Este não é um post sobre dietas.
A forma como tratamos o nosso corpo e o cuidado que temos com o que ingerimos diz muito sobre a forma como nos tratamos e nos respeitamos. É exactamente sobre isso que aqui te vou escrever - sobre respeito e sobre dar o melhor que temos.

[...]


O David Servan Schreiber contava, numa das suas crónicas, a história de um rapaz britânico que estava numa apatia enorme. O David recebera-o um dia no seu consultório, na ficha dizia que estava com uma depressão. O David falou com ele e não conseguiu perceber de onde vinha aquele estado de apatia. Esteve com ele algumas vezes e aquilo que saltou à vista, imediatamente, fora a forma como ele se alimentava. Não seria muito diferente de muitos jovens da sua idade, desempregados e a viverem sozinhos. Pão branco, manteiga e doces, refrigerantes e cerveja, mais batata e arroz do que legumes. O David propos uma alteração radical na forma como se alimentava e pediu que um grupo de estudiosos da sua equipa seguissem aquele rapaz. Ao fim de algum tempo (não me recordo embora na crónica o David fizesse referência), o jovem não apresentava melhorias e queria sair do estudo. O David não deixou e insistiu que continuasse. E durante mais algum tempo a única coisa que aquele jovem tinha mudado era a sua alimentação. E um dia fez-se luz. O rapaz levantou-se e sentia-se outro. 
David pegou e mandou fazer testes e exames e concluiu o que há muito sabia - o corpo do rapaz estava diferente e portanto ele também estava diferente e com vontade de fazer acontecer a sua vida.
O David escreveu o livro Anti-cancro.

[...]

Desde pequena que tenho a noção clara que aquilo que ingerimos pode fazer-nos durar mais uns anos. Tive um familiar que mudou radicalmente a forma como se alimentava e conseguiu, há 25 anos atrás, prolongar o prazo de vida que lhe deram, de 8 meses para 8 anos. Habitualmente íamos a casa dele e lembro-me dos sumos de beterraba e cenoura, da importância que dava ao mastigar-se bem os alimentos. Lembro-me de ter imensos livros sobre alimentação. Se houvesse Internet nessa altura ele teria escrito um livro!

[...]

É possível que tenha tido contacto com o que é a alimentação biológica há uns 15 anos atrás, quando vivi fora de Portugal um ano. Percebi que os alimentos biológicos nada têm a ver com os chamados 'alimentos naturais'. Se quiseres ver a coisa de outra forma, alimentos naturais há muitos, aqueles que a terra dá, mas a diferença entre os naturais, os do produtos/agricultor e os biológicos é que estes últimos não só têm de ser certificados como não podem levar pesticidas químicos. E muitas vezes os do produtor levam aquele sulfato cinzento que mata o bicho e que está cheio de pesticidas. Bom, será melhor que a produção em série, de certeza que sim. Mas o biológico vai mais longe - a terra onde se plante biológico tem de comprovadamente estar pura, ou seja, teve de passar não sei quantos anos sem venenos e, ainda assim, continuar boa para dar alimento. 
É de lamentar, e até vergonhoso, que a maior parte dos supermercados venda os produtos biológicos a preços assustadores. 1 lt de leite biológico custa 1,45euros. É assim que vemos a evolução de um país.
E assusta-me a quantidade de produtos refinados que ingerimos. Em português podes ler este artigo do JN e em inglês este.

[...]

Volto ao David. O David escreveu este texto genial e que aqui te deixo traduzido/adaptado.


Comida: Regras
1. Torna-te retro - deves comer 80 por cento de vegetais, 20 por cento de proteína animal, como antigamente. A carne deve estar lá para dar 'gosto' e não tornar-se na vedeta do prato. 
2. Mistura os teus vegetais - brocolos são super anti-cancro, sobretudo quando combinado com molho de tomate, cebolas e alho. Habitua-te a juntar cebolas e alhos a todos os teus pratos.
3. Torna-te biológica - escolhe sempre que possível biológico mas lembra-te que é sempre preferível comer bróculos que tenha sido expostos a pesticidas do que não comer bróculos.
4. Usa especiarias - usa curcuma - que é super anti-inflamatório- E lembra-te das outras ervas: tomilho, mangericão, menta, oregãos, etc.

5. Deixa a batatas - que sobrem o teu nível de açucar no sangue e que contêm muitos pesticidas - tal como as cenouras.
6. Come peixe - pelo menos 3 vezes por semana 
7. Lembra-te que nem todos os ovos são criados da mesma forma... e que há galinhas a comerem muita porcaria.
8. Muda de oleo - e dá preferência ao azeite. Deita fora o óleo de girassol, de soja, de milho. Demasiados ácidos gordos.
9. Prefere tudo o que seja integral, evita farinhas brancas, açucar refinado e come a massa al dente.
10. Os teus doces é a fruta. Ou chocolate preto.
Vida: Regras
11. Torna-te verde - em vez de café ou chá preto bebe 3 taças de chá verde. 
12. Abre excepções - o mais importante é o que podes fazer todos os dias e não só de vez em quando.
13. Faz exercício. 30 minutos, 5 vezes por semana.
14. Apanha sol e acelera a tua vitamina D. Ou toma suplementos.
15. Acaba com os maus químicos - pára de usar cosméticos com parabenos, substitui as frigideiras de Teflon riscadas, filtra a tua água, não aqueças nada em plásticos.
16. Está com gente e desliga-te da net. Abraça!
17. Respira - e relaxa.
18. Junta-te a um grupo e faz coisas pela tua comunidade.
19. Cultiva a felicidade [lê este blogue e mais este :) ]



10 comentários:

  1. Sobre este assunto tenho escrito no meu, ainda, recente blog O caldeirão de Dagda. Se quiser espreitar terei muito gosto em recebê-la para a partilha de ideias:
    http://ocaldeiraodedagda.blogspot.pt/
    Adorei o post!

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  2. Bom dia Magda! Este teu post assenta-me como uma luva. Ando sempre a dizer isto lá em casa mas falta o mais importante - conseguir por em prática. Compro a granola para o pequeno almoço mas depois o café com leite e a torrada falam sempre mais alto e por ai fora. Mas sei perfeitamente que a falta de energia que tenho vem da alimentação que faço. Vou imprimir e vai servir-me de apoio para as escolhas que tenho de fazer todos os dias. Beijinhos xx (espero que as 'ites' já tenham abandonado a vossa casa).

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  3. Adorei o post.
    Tenho pena que os produtos biológicos sejam tão caros!
    Este texto menciona muitos dos hábitos já criados por mim e que vou incutindo na família, sendo alguns díficéis mas há que ser persistente!

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  4. Gostei muito deste post e resume aquilo que vou tentando melhorar na minha vida aos poucos. Passei a fazer muita coisa em casa, alterei alguns hábitos alimentares, perdi algum do peso que queria e apenas com essas alterações, sinto-me muito melhor e com mais energia. Adoeço muito menos vezes (eu e a minha família) e isso permite-me viver uma vida mais feliz.

    Ainda tenho muito que caminhar, falta-me o exercício físico diário, o eliminar totalmente farinhas e açúcar brancos e comer cada vez menos carne. Hei-de lá chegar. Um passo de cada vez.

    Bjs e obrigada pelo post
    Anabela

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  5. Gostei muito do post, é algo que tenho andado a tentar implementar na minha vida e alimentação há uns meses, mas a pouco e pouco.
    Falta o link para o artigo do JN.

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  6. E infelizmente o David morreu...de cancro. Quando o livro dele (anti cancro) saiu, comprei-o porque tinha-me sido diagnosticado um linfoma não-hodgkin. Mas quando o autor morreu, apesar de todos os cuidados e mudanças que fez, o livro passou, para mim, a ser uma fraude. Não mudei a minha alimentação nem o meu modo de vida porque já era saudável. O meu cancro ainda é um mistério para mim e para os médicos. Conheço pessoas que nunca comeram orgânico mas sempre foram moderadas e são saudáveis. E conheço outras que só vivem e transpiram orgânico, comem seitan e tofu "tudo muito natural" e estão sempre doentes...

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  7. E infelizmente o David morreu...de cancro. Quando o livro dele (anti cancro) saiu, comprei-o porque tinha-me sido diagnosticado um linfoma não-hodgkin. Mas quando o autor morreu, apesar de todos os cuidados e mudanças que fez, o livro passou, para mim, a ser uma fraude. Não mudei a minha alimentação nem o meu modo de vida porque já era saudável. O meu cancro ainda é um mistério para mim e para os médicos. Conheço pessoas que nunca comeram orgânico mas sempre foram moderadas e são saudáveis. E conheço outras que só vivem e transpiram orgânico, comem seitan e tofu "tudo muito natural" e estão sempre doentes...

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    Respostas
    1. Idalina, pensei o mesmo quando soube que o David tinha morrido - embora fosse uma coisa que já se estava à espera - já o sigo há muitos anos. Eu penso assim: se ele não tivesse feito aquela mudança toda talvez não tivesse durado tanto tempo. Foi o mesmo que aconteceu com o familiar a que me refiro no texto. Tenho um amigo que tem problemas de coração e uma vez disse qualquer coisa como 'para que é que me serviu comer de forma moderada e fazer exercício se agora tenho de tomar medicação para o coração?' E o raciocínio da mulher dele foi 'ainda bem que fizeste isso tudo - se calhar foi isso que te fez chegar até aqui'.
      Se é sorte? Também é! Mas uma atitude consciente também faz toda a diferença, quero acreditar.
      Não deite a toalha ao chão e faça aquilo que acha que tem de ser feito.
      Um grande beijinho e tudo a correr pelo melhor!

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  8. Concordo que a alimentação é a base daquilo que somos e do que sentimos.
    No entanto, discordo do ponto 1, no sentido em que o antigamente pode ser discutível. A alimentação humana tem sofrido uma evolução através dos tempos ainda assim, a caça e a pesca (consumo de proteína) surgiram primeiro, quando alguns povos deixaram de ser nómadas é que a agricultura se desenvolveu, logo a produção de vegetais e cereais, para consumo humano é bastante posterior.
    AndresaCosta

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  9. Nao é a minha área, mas tanto quanto sei se compararmos a dentição r o intestino humano com os restantes animais, concluímos que nós não somos carnívoros...
    Para alem disso, comer animais nao significa pactuar com industrias destruidoras do ambiente e da nossa saude. Para quem queira consumir alimentos de origem animal, uma boa opcao é o biologico (mais caro, mas poupa no medico o que gasta no supermercado).
    Quanto aos legumes e frutas bio, se forem portugueses e da época nao sao mais caros. Sao mais saudaveis e muito mais saborosos!
    Magda, pratico tudo isso e fui um pouquinho mais longe. Surpreendem-me as reacções que encontro que denotam desconhecimento e muita vontade de continuar na 'ignorancia' :(
    Escreva mais sobre isto. Aos poucos algumas familias mudarão, p bem do futuro das nossas criancas e do ambiente :o)

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Obrigada por leres e por comentares!
Todos os comentários são bem-vindos excepto os que 'berram alto'...Esses são, naturalmente, eliminados!

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