A moda do feedback positivo, das tabelinhas e o ‘boa, meu filho!’

9.1.13



Nos workshops e sessões de coaching que faço os pais dizem que dão imenso feedback positivo aos filhos e que os recompensam das atitudes positivas que eles têm. Por cada dia em que se comportam bem ou fazem aquilo que é suposto fazerem, recebem uma estrelinha. E por cada dia em que a coisa correu mal, uma nuvem. A recompensa pode ser essa – a de receber estrelas – e um grande ‘boa, meu filho!’ ou pode ser uma ida a um parque, uma prenda ou outra coisa qualquer.

Questão 1: Conseguimos os resultados que queremos? Sim, na maior parte das vezes sim! Boa, pai e mãe! Estás no bom caminho!

Parou tudo agora!! E vamos lá pensar um bocadinho, minha gente!

Questão 2: os miúdos estão a fazer a coisa porque perceberam do interesse de agirem daquela forma? Nao tenho a certeza disso. Cada caso é um caso, podes dizer-me. E sim, é! Mas está a fazê-lo em troca de alguma coisa. Ou seja, há ali uma motivação que é extrínsica, ou seja, que não vem de dentro.

O objectivo deste post não é fazer com que páres de dar feedback positivo ou de usar as tuas tabelinhas ou de dizer ‘boa, meu filho’ (lê a entrevista com a Jennifer do blog Good job and other things).

O objectivo deste post é pôr-te a pensar se, a cada passo que dizes ‘boa!’ estás a fazê-lo de forma automática e porque ouviste dizer que essas coisas são importantes.

Quando a tua filha chega ao pé de ti e diz ‘olha mamã o meu desenho’ e tu dizes ‘ah que giro!’ a um monte de riscos... então a questão é 

‘Oi? O que  foi isso?’ Adicionaste alguma coisa? É que dizer por dizer não vale a pena. A segunda questão que me surge é ‘gostas de ver um monte de riscos num papel?’ Eu não! Se gostas então disseste bem dito. Se não gostas... não digas! Pergunta-lhe o que é está ali naquele papel, se gosta de desenhar, se se diverte ao fazê-lo. Dá conteúdo às coisas.

Se continuas a dizer ‘boa, que giro’, esse ‘boa!’ vai deixar de ter significado. E vai deixar de ter siginificado nos momentos bons, naqueles em que de facto há uma coisa boa para sublinhar!

Não! Não estou a dizer para deixares de dizer. Estou a dizer para pensares no que dizes. Não é só porque nos dizem que é importante darmos feedback positivo e estrelas and so on que o devemos fazer a torto e a direito.

Quando os miúdos se portam bem podes simplesmente dizer ‘olha, adorei o nosso jantar! Hoje até nos rimos muito e foi bom porque eu estive calma e tu comeste a sopa toda’.
Não estás a dizer ‘boa!’ mas estás a reforçar a ideia de um comportamento que se deseja que se repita. Tal e qual. O ‘boa’ é vago, não diz nada! Percebes?

É que sempre que oiço alguém dizer ‘lindo menino’ a resposta que penso que vem logo a seguir é ‘Au au!’.

Vale a pena pensar nisto!




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13 comentários:

  1. Ora aqui está, a minha consciencia estava certa e eu sabia, mas poorque será que ao ler-te mudo logo a estratégia!!! Que bom que era se estivesses aqui mais perto...lá vamos nós mudar a lógica do porquinho hoje à noite, há moedinha mas por outra razão ;)

    Beijinho grande

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  2. Nas aulas penso sempre nisso quando dou reforço positivo e acho que tenho de ser mais coerente e mais consistente com os bons trabalhos e as boas atitudes que os miúdos fazem :)
    Vou melhorar, promise e vou dando feedback!

    Beijos e obrigada por me fazeres pensar!

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  3. Ando a trabalhar nisso, e também alinhei no desafio de tentar não levantar a voz este mês! ;)
    Olha, fiz um post onde mencionei o teu blog, espero que não te importes.
    Beijinhos!*

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  4. Ando a trabalhar nisso, promteo! E também estou a tentar pôr em prática o desafio de não levantar a voz este mês (para continuar, claro!)
    Olha, fiz um post em que mencionei o teu blog, espero que não te importes.
    Beijinhos!*

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  5. O problema é que a tendência é a de andarmos sempre sempre com a carneirada toda. Não que o grupo não seja uma coisa importante mas só o é se cada elemento souber contribuir com alguma coisa e essa contribuição só existe porque existe a individualidade de cada um. Isto para dizer que a "cartilha" é a base, o alicerce, nunca o modelo exclusivo a seguir por todos, a toda a hora, sem pararmos para pensar se faz sentido ou se andamos a criar "au aus" que fazem porque sim.

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  6. gosto mesmo deste blog porque tem dicas interessantes. já apliquei uma ou duas e resultaram. obrigado por isso, beijinhos. isabel

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  7. Filipa Simões09 janeiro, 2013

    Concordo, é a mesma coisa que dizer a um puto de 3 anos "Porta-te bem hoje com a avó!".
    O que é exactamente "Porta-te bem"??
    Nada, certo? Simplesmente, nada.
    É preferível dizer "Não dês pontapés à avó! Porque fazem doer e não devemos magoar os outros."
    Bjs

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  8. Ai, tão bom ver relatado o que faço por intuição. Sabe tão bem!!! Obrigada.

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  9. É isto mesmo sem tirar nem por .......
    Parabens Magda mais um muito bom !!!!!

    Só que hoje em dia vivemos no " facilitismo" e mais facil/rapido dizer boa
    do que estar a explicar ......

    gostei muito
    bjs

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  10. Realmente este post faz pensar um bocadinho: o que eu acho é que de vez em quando um reforço positivo sem conteúdo não faz mal a ninguém, como no caso dos rabiscos no papel, no fundo não estamos a elogiar o desenho em si mas a aptidão conquistada... para mim da mesma forma que o lindo não faz sentido, pedir para a criança dizer o que está ali também não... são rabiscos e a criança sabe. Claro que podes tentar dar algum conteúdo a questão, mas fica difícil quando a criança, rabisca vezes sem conta e vem te mostrar... Um "ai que lindo" sem conteúdo e amoroso de vez em quando não considero muito grave...
    O pior para mim é quando as crianças começam a comportar-se de certa maneira a espero que daí venha uma "recompensa", material ou verbal... principalmente material. Passamos a ter um comportamento condicionado... A criança nunca vai perceber porque deve comportar-se daquela forma, só vai perceber que recebe uma "recompensa" quando se comporta assim... Cá em casa não existe a banalização do Boa... Tudo que esta dentro de um comportamento normal não recebe qualquer tipo de reforço positivo. Énormal e ponto. Ensina-se o que está correto, como deve-se ser feito. Se ela decide fazer de forma errada, explica-se porque não deve ser feito, principalmente que determinado comportamento leva a determinada consequência. De vez em quando sai um "ai que lindo" sem conteúdo... Boa!! sai quando existe aquisição de uma nova competência... No fundo é a simples regra do nem 8 nem 80

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    1. Exactamente! Ia comentar, mas a Dea já disse tudo.

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  11. Na escola da minha filha, em especifico na pré-primária, as carinhas são decididas entre todos e são a forma de avaliarem como foi o comportamento no geral de cada um. Por exemplo se um menino bateu a outro no recreio decidem todos que vai ter carinha vermelha e se algum foi mal educado. Ou seja, é utilizado para terem percepção das suas atitudes e da influência que tem nos outros. Pelo que a professora diz, têm resultado muito bem e um menino que comece o ano lectivo com cara vermelha acaba sempre por ir evoluindo e ter carinhas verdes. Acho que depende como é utilizado e com que fundamento. Devendo as crianças perceber bem para que servem e como devem utilizar estes jogos.

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  12. Obrigada pelas preciosas dicas...

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Obrigada por leres e por comentares!
Todos os comentários são bem-vindos excepto os que 'berram alto'...Esses são, naturalmente, eliminados!

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