A verdadeira missão dos pais

30.7.12






Sabes aquela famosa tatuagem do ultra-mar ‘Amor de mãe’? Pois é, o amor de mãe (e de pai, claro!) é ultra-especial. É um amor tão diferente dos outros. É uma amor onde damos o tudo por tudo, onde damos o melhor daquilo que temos e somos para que, no final, a criança que gerámos - agora adulta – dê o salto e vá fazer a vida longe de nós. Apostámos tudo para nos deixarem!



Mas a missão dos pais, a verdadeira e grande missão não é amar incondicionalmente os filhos. Não é mesmo!


A verdadeira missão dos pais é uma e só uma: é educar e humanizar a criança e torná-la num adulto são, capaz e responsável. É para isso que cá andamos, meus senhores e minhas senhoras.


Há muitos anos ouvi uma senhora (sei que era psicóloga ou pediatra mas não me lembro do nome nem em que estação ouvi) dizer uma coisa absolutamente correcta. Dizia que existem dois tipos de pais / educadores:


1) Aqueles que adoram as crianças, adoram brincar com elas, enchê-las de mimos, dar-lhes chocolates, brincar e brincar com elas. Tratam-nas como se fossem animaizinhos fofinhos e apresentam-nas como coisas. Gostam delas mesmo a sério? Claro que sim!


2) E depois há aquelas que adoram as suas crianças e gostam de brincar e estar com elas mas o seu grande desejo é encaminhá-las para que sejam adultos saudáveis, felizes e que não causem problemas (sim! Ela disse isto: não causar problemas!).


De facto, a função do pai e da mãe é enunciar quais são as regras mais importantes da vida da criança – algumas das quais vão desaparecendo à medida que a criança vai crescendo. Repara: nem tudo é proíbido para o resto da vida. Se o teu filho ainda não pode cortar o pão com a faca de serrilha, daqui a uns anos já poderá fazê-lo. Só precisas de lhe dizer que quando for um bocadinho maior vai poder ajudar-te nisso. Agora é que não. Mas já há coisas que pode fazer agora que não podia antes.

E depois há outro tipo de regras. O teu pai chateia-se contigo quando bates no teu irmão? Chateia-se, pois! Primeiro porque ninguém gosta de apanhar. E em segundo lugar, e fundamentalmente, porque se o teu pai sair de casa e for bater no vizinho, já se sabe que se vai chamar a polícia, não é? Pois é, a função do teu pai é educar-te e fazer-te compreender as regras que temos na sociedade em que vivemos!


E agora dizem os mais puristas ‘Ah e tal mas isso não é castrar a criatividade das crianças? Isso não é frustá-las? E queres criar o teu filho neste tipo de sociedade?’

Give me a break! Há outra sociedade? Eu sou a sociedade, tu não?

E respeitar as regras da sociedade nunca impediu ninguém de ser criativo. No limite deixou alguns teenagers à deriva, isso sim! Aliás, se algum criativ@ me lê, sabe bem que a criatividade dá trabalho e tem pouco de impulsivo, certo?

Quando os filhos percebem o interesse das regras e as integram na sua vida, então passam a aplicar essas mesmas regras (ou limites, como queiras chamar) sozinhos, sem que seja necessário que o pai e a mãe estejam sempre ali ao lado. E isso é humanizar e educar uma criança.


A verdade é só uma: quando uma criança sabe que os pais não são capazes de a fazer obedecer, então ela também acha que esses pais não são capazes de a proteger. E as crianças precisam desta sensação de segurança para se construírem e crescer.

Lá está, mais uma vez concluo que regras e limites na educação de uma criança é igual a segurança*.



* e já agora atrevo-me a dizer que há não há assim tantas regras... Mas um dia falamos sobre isso!

5 comentários:

  1. Não podia concordar mais com isso. Aliás, uma criança com regras será um adulto muito mais feliz e menos frustrado.

    ResponderEliminar
  2. na minha opinião podemos muito bem ser o tipo de pais nº 2 e nº1, com excepção da parte de animaizinhos! Um amor incondicional, carregado d ebijos e brincadeiras não exclui a educação e a sregras! O que eu acho é que a nossa missão será conjugar, da melhor forma possível, os 2 papeis!

    ResponderEliminar
  3. Divinal!!!
    Eu tive a sorte, o privilégio, de ter o Dr Eduardo Sá como professor na faculdade. Absorvi, bebi, devorei as palavras dele (não fosse ele dos melhores comunicadores que já ouvi!) e ainda hoje me lembro tanto dele quando estou com os meus filhos.
    Lembro-me de uma aula em que ele disse que a criança não espera que sejamos amigos dela, espera que sejamos pais! Espera que ponhamos limites e que nos zanguemos com elas quando fazem asneira. Porque elas sabem que fazem asneira, e muitas vezes para esperar a nossa reacção. Daí as crianças mais birrentas e asneirentas serem as que menos sentem o amor dos pais e as mais inseguras.
    É a questão de sermos um mau pai (não um pai mau). Saber dizer não! Saber frustrá-las na hora certa com um bom e justo não para que elas sejam felizes e seguras e resilientes na vida adulta! :)

    ResponderEliminar
  4. É isto que fará a diferença nas escolas portuguesas. As crianças naturalmente resistem ao que é menos divertido: estar sentada uma hora, responder por escrito a perguntas do texto quando podem fazê-lo oralmente, pintar aquele desenho sobre os frutos do outono quando preferiam ver apenas um filme sobre isso, e muitas mais situações do quotidiano escolar. Afinal o que é que leva uma criança a fazer tudo isto sem reclamar? A aceitação da regra como uma ordem necessária, como uma ajuda ao seu crescimento, sem estar à espera de uma recompensa. Mas como convencer os pais? Eis a questão a que ainda não descobri a resposta. Mas continuo a tentar porque nesta situação as vítimas são as crianças, são as grandes prejudicadas. Gostava mesmo de conseguir convencer os pais que as crianças ainda não têm capacidade crítica para fazer boas escolhas e que eles estão a deixá-las decicidir o seu futuro numa altura da vida em que não têm experiências pessoais para escolher um bom caminho. Continuarei à procura com a ajuda de palavras como as que encontro neste blog.

    ResponderEliminar
  5. Adorei o tema e concordo em absoluto! Diría mais, o que é a escola? É um jogo, com regras, igual a tantos outros jogos com regras. Cada jogo com as suas regras específicas!
    A escola, tem o dever de ensinar regras, entre as quais, aprender a viver em sociedade!
    Ser mais capaz, autónomo e feliz!

    ResponderEliminar

Obrigada por leres e por comentares!
Todos os comentários são bem-vindos excepto os que 'berram alto'...Esses são, naturalmente, eliminados!

linkwithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Share