ÉVORA: REFLEXÕES SOBRE A INTERVENÇÃO COM FAMÍLIAS, JOVENS E CRIANÇAS

19.5.17
É com muito entusiasmo que me junto a este painel de gente tão entusiasmada para o papel das famílias, dos jovens e das crianças.
Em Évora, na próxima 3ªFeira.
Imperdível para quem está a Sul! 





Alunos portugueses têm horas a mais de aulas, diz especialista da OCDE

18.5.17
Não só os nossos filhos têm horas a mais como têm pausas a menos.
É urgente, muito urgente fazer-se uma revolução no sistema e é urgente envolvermos todos os que são tidos e achados na equação: famílias, alunos e escola.
A propósito vale a pena ler este artido do Observador e esta entrevista na Rádio Festival


Há disciplinas que deveriam ser incluídas nos curriculos dos nossos filhos. Esta é uma delas!

17.5.17



Desejo que os meus filhos sejam seguros, com uma auto-estima saudável. Que tenham confiança em si, que coloquem as costas direitas e a voz forte, sempre que precisem. E que, mesmo que possam não estar assim tão seguros, que finjam que o são.


Eu tinha 15 anos quando fiz uma formação em teatro e expressão dramática e não me esqueço o que é que essa ação de 2 semanas fez por mim! E por isso estava cheia de vontade de organizar algo semelhante através da Escola da Parentalidade.


E é com muito orgulho que trago este Atelier de teatro ao Porto. Ele será conduzido por uma das grandes promessas do teatro francês, e dirige-se a crianças entre os 9 e os 11 anos. Será realizado exclusivamente em língua francesa e terá a duração de duas semanas, conduzindo a uma apresentação do trabalho realizado.


Esta ação foi construída com dois grandes objetivos. Pretende-se que, num primeiro momento, as crianças possam descobrir a arte dramática, tomem consciência da sua sensibilidade enquanto criadores e espectadores e, num segundo momento, que possam desenvolver o seu instrumento: expressão, voz, corpo, imaginação, relação com o texto. Para que tudo corra bem, aceitaremos apenas 8 alunos.

É, sem dúvida alguma, uma ação que falta no sistema educativo clássico. Pelas inúmeras possibilidades que cria, a Escola da Parentalidade decidiu avançar com ela. Podes descarregar o link da brochura aqui e podes escrever-me para mais infos: info@parentalidadepositiva.com

Este é o grande motivo pelo qual a Parentalidade Positiva está tão na moda

17.5.17

Quando comecei a lidar com o tema da Parentalidade Positiva, há 10 anos atrás, era ainda responsável pelos Recursos Humanos de um grupo de empresas familiares do grande Porto e dava formação, desde 2002, nas áreas da comunicação, motivação. Nessa altura, questionava-me com frequência no que é que tinha acontecido na vida de algumas pessoas com quem lidava, sobretudo nestes contextos profissionais, uma vez que tinha a oportunidade de ver, de forma clara, como é que a sua arquitectura mental estava construída e a forma como se posicionavam na vida.

A questão era sempre a mesma: O que é que tinha acontecido ao potencial que todas as pessoas tinham e que, nalgumas, parecia ter ficado pelo caminho? O que era feito de todos os sonhos e esperanças que um dia tinham tido? Que história e que pessoas tinham tido nas suas vidas?

Então passei a olhar para os pais e à procura da forma como andavam a fazer o seu papel. Procurei ver, através da forma como nos relacionamos, como é podemos potenciar - ou não - uma série de competências para a vida.

Percebi que estamos diferentes da geração que nos educou. Queremos que a relação com os nossos filhos sejas diferente. Não queremos educar com base na educação autoritária, que faz uso dos castigos, das palmadas, das humilhações mas, na ausência de modelos de 'meio termo', caímos na justa oposição que é uma educação sem limites nem regras. E se à primeira vista parece que estamos a demonstrar mais amor pelos nossos filhos, a verdade é que eles não sentem esta permissividade dessa forma. Pelo contrário: passamos a sensação que não nos importamos porque 'deixamos andar'.

Então, a Parentalidade Positiva surge como uma resposta equilibrada, que tem por base o respeito mútuo entre pais e filhos, fator chave para a geração atual de pais. A palmada, o castigo ou o "tudo permitir" são resposta rápidas mas desadequadas, a curto prazo. A Parentalidade Positiva convida-nos a uma maior participação, a um maior envolvimento mas, por ser próxima e permitir a construção da identidade dos diferentes atores, tem resultados mais positivos e a longo prazo.

Se vamos ensinar a educar? Claro que não! Vamos ensinar a comunicar, a olhar para o outro e a saber dar a resposta mais adequada. Sabes, não é porque nasce uma criança que nascem pais a saberem comunicar com ela e a ler os seus pedidos. E há algum mal nisso? Claro que não, desde que haja disponibilidade para aprender.

Próximos ciclos de ações da escola: Algarve | Porto





Final do ano letivo: se tens filhos em idade escolar, este é um post que não vais querer deixar de lado

16.5.17


Nesta entrevista à Rádio Festival falamos sobre indisciplina, concentração, trabalhos de casa, turmas, ritmos alucinantes, metas escolares, foco, grupo, resultados escolares, descanso, baleia azul, escolaridade obrigatória, igualdade de oportunidades, problemáticas diversas e muito, muito mais!
É um convite a uma revolução que é cada vez mais inevitável!

P.S. O ficheiro está no google drive e podes ter de o descarregar. Se isso te for pedido, é porque é mesmo assim!



O síndrome do filho mais velho

15.5.17


'Olha que tens de dar o exemplo, tu é que és o mais velho!'
'Pára com isso, deixa-o estar, não vês que é mais pequeno que tu?'
'Tens de ter paciência, já sabes como é que ele é.'
'Faz as pazes com o teu irmão, dá lá um beijinho, agora sejam amigos!'
'O mais pequeno é um safado e dá cabo do juízo ao mais velho mas ele sabe que tem de ser tolerante, afinal é irmão dele'.

O meu profundo respeito a todos aqueles que são irmãos mais velhos. Muitos de nós já dissemos as frases acima aos nossos mais velhos. Alguns de nós até já as ouvimos justamente porque somos 'os mais velhos' mas isso não nos impede de repetir essas mesmas frases agora, no papel de pais. Por isso convido-te a fazeres uma pequena pausa, a releres todas as frases novamente e imaginares que o filho mais velho és tu. E que nuns casos estavas a arreliar o teu irmão mas noutros estavas sossegado. Como é que te sentes? Como é que te sentirias se, pelo menos, uma vez por dia, ouvisses uma ou duas ou três dessas frases?

Possivelmente sentes-te injustiçada e desanimada porque não há ninguém que te entenda ou veja o teu desalento. Dizem que é suposto teres mais auto-controlo, mais paciência e, porque tens mais força e és o mais velho, não te controlas tantas vezes como os teus pais gostariam, acabas sempre por ser o mau da fita.

Algumas vezes não é fácil ser-se filho mais velho...  O que é que te impede de o dizeres?
-'Filho, por vezes tenho a impressão que não é fácil ser-se o filho mais velho, não é?'
-'Filho, deve ser cansativo estar sempre a ser interrompido pelo teu irmão.'

Acredita que estas duas frases fazem tanto por um filho mais velho porque são pura empatia, compreensão e aceitação.

Quando se é mais velho já se é um modelo. A prova é que o mais novo o copia e ele sabe disso. Podes simplesmente lembrar que o irmão o copia e imita mas sem usares o tom em que ele tem de ser o exemplo. Ele tem de ser ele próprio - o que já por si só é um grande desafio. Liberta-o do resto.

A questão dos irmãos é muito desafiante e interessante. Se te interessas por este tema, convido-te a dares uma vista de olhos aos programas que vou levar a Tavira a 26 de Maio e ao Porto a 13 de Junho.

Os 2 principais motivos pelos quais a adolescência pode ser um período de crise

12.5.17

A adolescência é, por definição, um período de crise, não só para os jovens como também para os pais. Este é um período de definição, construção e também destruição.

E estes são os motivos:

1. É nesta altura que os jovens iniciam um processo de maior autonomia na sua vidas. Primeiro porque é mesmo assim que se quer - que se tornem independentes de nós, afinal é para isso que os criamos.
2. Segundo, porque esta é uma fase de uma maior consciência de si, de transformações físicas, hormonais e emocionais. E esta 'avalanche' de transformações pode provocar comportamentos menos habituais, mais difíceis, justamente porque pode ser difícil lidar-se com tudo isto que está a acontecer dentro de nós.

Há quem se refira a este período como uma altura de crise justamente porque pode não haver a manutenção dos valores do passado. Simultaneamente, muitos pais sofrem com o afastamento dos filhos: este passa a falar menos, a fechar-se mais no seu quarto e a passar mais tempo com os amigos. Estes jovens, por precisarem e desejarem  maior independência - porque precisam de se definir - fazem com que o controlo parental diminua de forma natural, surgindo uma novidade na equação [que talvez existisse já antes] e que é a intimidade, deixando uma vez mais os pais por trás da porta.

E este ponto - a nova definição de papeis - pode ser um problema para nós uma vez que, a partir daqui, e num processo que pode ser lento, ou não, irão confrontar-se com novas situações ainda que algumas possam ser comuns nestas idades.

Estes desafios são muito diversificados e podem estar relacionados com a auto-estima do adolescente, as amizades, as redes sociais e o virtual em geral, a anorexia/bulimia, o bullying, a sexualidade, as drogas, entre muitos outros. E depois há os desafios relacionados com a própria relação pais/adolescentes: de discórdia, oposição, não participação.

Os adolescentes de hoje, também conhecidos por geração Z, são aqueles que entram no mercado de trabalho e ainda têm os avós a trabalharem. São aqueles que nasceram numa altura que os pais trocavam sms e emails e falavam no messenger. É uma geração que nasceu na altura da queda das torres e num país onde a taxa de divórcio não pára de aumentar, tal como o número de alunos por sala. Este artigo do Observador, pela pertinência, vale a pena ser lido.

E os pais, nisto tudo? Precisamos de apoio, de amigos generosos, com quem possamos partilhar os nossos receios e angústias, lembrando-nos que a paciência, o sentido de humor, a generosidade e a liderança empática são os nossos melhores aliados.
A dada altura, se precisarmos de ajuda e acompanhamento, não devemos hesitar, tornando assim esta travessia mais simples e mais fácil. 

Podes continuar a ler mais sobre estes assuntos em Ciclo de workshops Porto | Algarve


Este é o verdadeiro motivo pelo qual as crianças necessitam de regras e limites

11.5.17

Ouvimos, com frequência, que as crianças precisam de regras e limites.
E eu, com frequência, pergunto a esses adultos o motivo pelo qual eles acham que as crianças precisam dessas regras e desses limites.
Respondem-me 'porque sim, porque precisam de entender que não podem ter tudo na vida' e eu penso, cá para comigo que de certeza que isso já perceberam. Por vezes continuo a fazer mais perguntas e concluo que o que leva alguns adultos a acharem que as crianças necessitam de regras e limites tem apenas a ver com um pequeno jogo de poder da nossa parte. Na verdade, não terá apenas a ver com o entendimento do que diziam no início da conversa, que  'na vida há coisas que nem sempre são possíveis' mas antes com um 'vamos lá ver quem é que manda aqui.'

Mas a verdade é só uma: as regras e os limites servem para que a criança possa estar a salvo e se sintam seguras. O meu filho mais novo não mexe na faca de serrilha de cortar o pão porque ainda é pequeno mas a mais velha já o faz. A mais velha ainda não conduz o carro nem vota porque são precisas etapas de desenvolvimento e aquisição de certas competências que só os próximos anos lhe trarão. E é por isso que existem coisas que lhe estão, por enquanto, vedadas. E isto aplica-se a todas as outras dimensões da vida deles [e da nossa]. Quando insistimos que vão para a cama cedo, quando insistimos que respondam com bons modos ou que não se agridam mutuamente. Tudo isto é para que possam estar protegidos e em segurança.

Por isso, da próxima vez que pensares em estabelecer uma regra pensa, de forma clara, qual é a tua intenção e de que forma é que o teu filho conseguirá construir-se dentro dessa segurança. O que é que ele poderá explorar, treinar ou aperfeiçoar dentro desse limite.

Interessas-te por este tema? Gostavas de saber mais sobre ele? Então clica aqui e aqui.



CICLO DE WORKSHOPS EM PARENTALIDADE E EDUCAÇÃO POSITIVAS

9.5.17


No Porto, o ciclo de workshops vai acontecer num formato diferente e que possibilita a participação a mais famílias. Esta é a primeira grande novidade.

Vamos fazer ações ao longo de um mês, às 3ªs Feiras, no final do dia. São ações renovadas, com novas dinâmicas e exemplos e por isso é bom voltar à minha terra com um refresh.

Começamos com a Auto-estima da Criança e do Adolescente - fator determinante para um bem-estar emocional e que devemos promover em todas as etapas do crescimento dos nossos filhos.

A ação Conflitos entre irmãos é direccionada para quem tem mais que um filho. Conheceremos estratégias para fomentar uma harmonia familiar mais frequente e aprenderemos a desenvolver competências para que os miúdos consigam lidar com o seu maior rival: o outro irmão.

A Questão da Autoridade e da Obediência é um dos workshops mais antigos que temos, tal como o da Auto-Estima. É um modelo testado desde 2010 com milhares (isso mesmo!) de famílias e com resultados extraordinários: o aumento da paz familiar e a criação de um ambiente de maior significado e valor, justamente aquilo que todos queremos.

Por outro lado, respondemos também à grande necessidade dos técnicos da área social e todos aqueles que lidam direta e indiretamente com famílias. É com orgulho que digo que temos estado cada vez mais próximos deste sector, com um feedback incrível e cada vez mais apaixonados por ele. Esta ação em competências parentais é bem o reflexo disso mesmo - uma ação feita à medida e construída com base nas necessidades que fomos escutando.

Ao clicares em cada um dos links tens acesso ao formulário de inscrição. Qualquer questão que possas ter, escreve-nos: cursos@parentalidadepositiva.com




Será que o papel da mãe é mais importante que o do pai?

9.5.17


Será que o papel da mãe é mais importante que o do pai?

Cada ator tem o seu papel e a sua importância reside no tipo de vínculo que vai estabelecer com os filhos. Ponto final. Ainda assim, existe a ideia de que a mãe, por tratar e cuidar, tem um papel de maior destaque na vida dos filhos. Achamos isso porque, antigamente, efectivamente, era ela a cuidadora e, por isso, livre de explorar os afectos, de se emocionar. Era ela que, trabalhando ou não, garantia que os filhos tinham os lanches prontos, cuidava dos joelhos esfolados, zelava para que tudo se aproximasse do perfeito. Sempre próxima, essa era a convenção.
Felizmente muita coisa mudou e deixámos de ter papeis pré-estabelecidos. Percebemos que podemos criar uma relação com maior significado com os miúdos e isso muda não só a vida deles - porque a torna mais rica - como também a nossa vida. Os pais - homens - hoje estão mais próximos porque querem estar. E este facto dá-nos uma imensa liberdade. Construímos a relação com os nossos filhos com base naquilo que podemos e desejamos ser e não com base naquilo que temos de ser, por causa de papeis socialmente criados e perpetuados. E por isso, mãe e pai tornam-se igualmente importantes, cada um à sua maneira.

Mas também há cada vez mais mães sozinhas - ora porque o pai está fora a trabalhar, ora porque se separaram - os últimos dados indicam que a taxa de divórcio em Portugal é de 74%. Há por isso cada vez mais mulheres a assumirem sozinhas - agora sozinhas, num formato diferente do anterior - a educação dos filhos. E neste novo formato a retaguarda é cada vez menor: avós que estão longe, que ainda trabalham ou indisponíveis. Então o difícil não é necessariamente a dificuldade que temos em educar mas antes a dificuldade que temos em descansar e arranjarmos tempo e energia para usufruirmos da nossa liberdade, recriando-nos a cada passo.

Este é talvez, um dos nossos maiores desafios.


É já esta sexta-feira! Palestra, questões e muitas partilhas! Entrada grátis!!

9.5.17

As Associações de Pais do 1º ciclo do Agrupamento de Escolas Abel Salazar, na persecução dos seus fins e de forma a contribuir para que pais, encarregados de educação e outros prestadores de cuidados, possam cumprir integralmente a sua missão, vai organizar um evento que visa fornecer conhecimentos específicos, estratégias e ferramentas que possam ajudar a promover o desenvolvimento e equilíbrio emocional da criança.

Convidámo-lo a que no próximo dia 12 de Maio, pelas 21h, nas instalações da Escola Secundária Abel Salazar, participe na palestra dinamizada por Magda Gomes Dias, fundadora da Escola da Parentalidade Positiva. 

No final terá a possibilidade de colocar questões e/ou dúvidas a Magda Gomes Dias, num ambiente de partilha e convívio, conheça o programa no evento do Facebook.

Disponibilizamos um serviço de animação para as suas crianças, a cargo das Dinâmicas Divertidas, de forma a que possa disfrutar desta iniciativa. 


As inscrições são gratuitas, obrigatórias e limitadas à capacidade da sala, devendo ser efetuadas até ao dia 12 de maio de 2017, por mail para apeeigrejavelha@gmail.com ou por telefone para 937 380 040. 


Se pretender usufruir dos serviços de animação para crianças indique por favor, no mail, o nome, data de nascimento e escola da criança. 

Esperando que esta iniciativa seja merecedora do vosso interesse, os nossos mais cordiais cumprimentos.

A organização

AUTONOMIA: COMPETÊNCIAS CHAVE A DESENVOLVER NO PRÉ-ESCOLAR

4.5.17


A escola, tal como disse aqui, tem um impacto importantíssimo na vida dos nossos filhos, sobretudo nos primeiros anos, no pré-escolar. É nesta altura que os miúdos, muitos filhos únicos, aprendem a partilhar [ainda que esta competência seja accionada no cérebro depois dos 4 anos], a estar em grupo e a ter noção que há necessidade de regras e ordem em diferentes ambientes como a casa dos pais, a dos avós e a escola, por exemplo. E que nem sempre são as mesmas em todo o lado. E isso é incrivelmente positivo porque permite à criança desenvolver o sentido de adaptação.

Para além do programa referente ao projecto pedagógico que deverão cumprir, as crianças podem ser convidadas a trabalharem outras áreas igualmente importantes e que são as competências sociais e que, nesta altura da sua vida, são essenciais, como já aqui falei por diversas vezes.

A autonomia é uma dessas competências e está relacionada com a criatividade e com a vontade de aprender, assim como com a auto-estima. Daí que seja fundamental propormos atividades um pouco mais desafiadoras e deixá-los fazer. É determinante que possamos educá-los para que sejam resilientes e que possam recomeçar sempre que falhem. A persistência está, pois, associada à autonomia.
Mas dos 0 aos 6 anos anos que tipo de autonomia podemos trabalhar? 
A capacidade que a criança tem em organizar o tratar do seu espaço e objectos: arrumar a cadeira, limpar a sua mesa, dobrar roupa, arrumar livros;
A capacidade que a criança tem em fazer novos amigo, dirigir-se a um adulto e fazer um pedido, em expressar-se com as palavras correctas;
A capacidade que a criança tem em disponibilizar-se para ajudar um colega, reparar que a luz ficou acesa ou voltar para trás para colocar o papel que caiu ao lado do caixote do lixo dentro.

E para que tudo isto aconteça, do que é que ela precisa mesmo? Apenas de um adulto disponível, bom e que se lembre que a criança está em fase de crescimento e que a repetição são mestres.

Felizmente, temos recebido cada vez mais pedidos de escolas e também de profissionais para aderirem ao Programa 360º que envolve toda a comunidade escolar: educadores e auxiliares, pais e crianças. As ações são claras, concretas e práticas e, por isso, fáceis de aplicar na prática, com um enorme retorno. Aprendemos a olhar para o grupo de crianças e para cada uma delas em específico, criando uma ambiente saudável e que promove a aprendizagem da melhor forma possível: com alegria!

Podes ler mais sobre autonomia aqui e podes inscrever-te na ação que vamos levar ao Algarve, aqui.

As 3 ferramentas a serem adquiridas pelos profissionais que trabalham com famílias.

21.4.17

O conceito de família mudou.
As próprias pessoas mudaram e as exigências do sistema tornaram-se cada vez maiores e mais burocráticas. Quando falo com profissionais da área da família, percebo que em alguns casos há pouco tempo para fazer bem, quanto mais, melhor. Mas mesmo sendo difícil, acompanho e trabalho com cada vez mais homens e mulheres que querem, ainda assim, continuar a fazer o melhor que sabem e podem, pelas famílias.
Há ferramentas que nos ajudam a otimizar o nosso trabalho. Na Escola da Parentalidade temos 5 pilares fundamentais e essas 3 ferramentas que nos ajudam a ir mais longe.
Os pilares - que são sempre apresentados nas formações que desenvolvemos são
1. O respeito mútuo
2. O vínculo
3. A parentalidade pró-ativa
4. A liderança empática
5. Educar sem punir

Hoje vamos ver, com um maior destaque como é que podemos ajudar as famílias, usando as 3 ferramentas que temos ao nosso dispor. E quais são elas?

Inteligência Emocional
Há várias definições mas de uma forma resumida é a nossa capacidade em identificarmos as nossas emoções, bem como as dos outros e, a partir daí, sermos capazes de dar a resposta mais adequada à situação. Quando conseguimos identificar essas emoções, conseguimos escolher os nossos comportamentos e fazer a tal gestão emocional de que tanto se fala.
Porque é que isto é importante para nós, que trabalhamos com famílias?
Porque quando aumentamos a nossa literacia emocional percebemos que embora as nossas emoções não seja escolhidas por nós, nós não somos aquilo que sentimos e podemos sair do estado em que estamos para outro. E estas competências podemos ensinar a outros, com quem trabalhamos e lidamos diariamente.
Uma mãe que tem um filho desafiante e um marido 'à moda antiga', pode beneficiar que as emoções dela sejam identificadas por um técnico. 'Está com um ar cansado e desanimado.'
Existem uma série de técnicas que podemos utilizar no sentido de ajudar esta mulher a começar a passar de um estado de desânimo para um de maior capacitação. E esta é uma das primeiras.

Linguagem Positiva
Ao contrário daquilo que possas pensar, a linguagem positiva não é dizer-se sempre que sim. A linguagem positiva tem a ver com a criação de possibilidades e novos caminhos. Quando sabemos utilizar bem esta ferramenta, estamos em condições de ajudar o outro a ver melhor esse caminho. Queres um exemplo? Imagina uma mãe que diz que quer deixar de gritar com o filho. Na verdade, talvez esta não seja a melhor forma de olhar para a questão porque a foca num só aspecto: o gritar. Podemos reformular a questão e dizer-lhe algo como:
'Estou a ver que o gritar a deixa insatisfeita na sua relação com os seus filhos e isso deixa-a triste e zangada consigo. O que a Ana gostaria mesmo era de ter uma relação com maior significado e mais serena, é isso?'
Este reformular da questão abre muitas novas possibilidades.
Passamos de um objectivo que era "Deixar de gritar" para outro muito mais amplo (e positivo) que é "Ter uma relação com maior significado com os filhos."

A Arte das perguntas
A arte das perguntas está diretamente ligada aos pontos anteriores. Primeiro, porque precisamos de se emocionalmente inteligentes para sabermos colocar as melhores questões. E em segundo lugar porque precisamos de saber falar a língua positiva. A arte das questões é uma forma que temos de fazer o outro mergulhar no seu mundo interior e descobrir as suas razões e respostas - ainda que por vezes possam ter alguma dificuldade e possam precisar de apoio e ajuda.
Lembro-me de uma mãe que me dizia que não conseguia lidar mais com a falta de respeito do filho adolescente, que não sabia o que fazer dele.... Estava a sentir-se, claramente, cansada, triste e muito desesperada.
E então a questão que lhe coloquei e que encheram o rosto dela de esperança foi 'Não consegue ou não sabe?' Porque é natural não sabermos e termos dificuldade mas não torna a questão impossível. E é aqui que toda a parte de acompanhamento e aconselhamento das competências parentais tem início. E pode ser mágico!
Muito mágico, mesmo!

Próximas ações em competências parentais, no Porto (Junho) e em Lisboa, em Setembro.
Envie-nos o seu email para saber mais para cursos@parentalidadepositiva.com e enviaremos mais informações na próxima semana.

Pós-Graduação em Parentalidade Positiva - últimos lugares para a ação de Setembro. Mais infos via cursos@parentalidadepositiva.com ou aqui




Estaremos mesmo envolvidos na prevenção dos maus tratos da criança?

18.4.17



Podes ler o documento da Convenção dos Direitos das Crianças aqui. E podes ler um resumo aqui também.
Infelizmente, há ainda quem considere que estes direitos são apenas para as crianças que estão em zonas de conflito e perigo e que no nosso Portugal a maior parte está segura.
No entanto, um bom olhar à nossa realidade mostrar-nos-á que a verdade não é essa.
Há uns meses participei numa conferência onde, a dada altura se falou da proteção da criança dos maus tratos, sendo que maus tratos são negligência também. E uma das oradoras perguntava-nos o que faríamos se víssemos uma mãe a bater e a ameaçar um filho, num supermercado. Houve um silêncio na sala. Ninguém respondeu. E a oradora continuou e partilhou connosco o que tinha feito, uns meses antes quando esteve perante uma situação destas. De uma forma muito assertiva e corajosa, interpelou aquela mãe e disse-lhe:
'Claramente, vejo que a senhora está fora de si e sem capacidade para gerir esta situação. No entanto,  não posso deixar de ver que a senhora está a agredir este menor e, enquanto cidadã, não posso fechar os olhos e fingir que não vi. Caso a veja agredir novamente o seu filho - física ou de outra forma - chamarei o agente de autoridade que está agora a olhar para nós.'

Curiosamente, esse mesmo agente da autoridade não se manifestou nem se deu, possivelmente, conta, da agressão que tinha acabado de acontecer à sua frente. Será que todos teríamos tido esta mesma coragem? Será que para nós bater e gritar com uma criança não passa de educação?

Mas maus tratos não é apenas bater na criança ou ameaçá-la. É não lhe criar oportunidades, não tratar dela e ajudá-la a fazer da infância um lugar seguro. Vale a pena dar uma vista de olhos aos documentos que anexei. E uma pesquisa no google faz-nos compreender que há ainda muito caminho a percorrer e por isso é que Abril é um mês cheio de iniciativas que nos fazem lembrar que estamos todos implicados nesta missão de criarmos um lugar seguro para as nossas crianças.

Tu queres ver que me vou ter de chatear contigo? Afinal, de quem é a culpa?

7.4.17

   Foto Would You Mum

Gritamos e zangamo-nos com os miúdos porque nos falta a paciência, porque estamos cansados, porque não nos apetece brincar... mas eles insistem e volta a faltar-nos a paciência.

Ficamos tensas porque o nosso companheiro nos respondeu torto, porque percebemos que andamos tão no limite que nos esquecemos de pagar uma conta e vamos pagar juros.

Perdemos a paciência porque não descansamos o suficiente, andamos stressados, alimentamo-nos mal e nem nos lembramos quando é que foi a última vez que fizemos desporto.

Gritamos mais uma vez porque estamos fartos que os dois putos se peguem, porque não temos os momentos de sossego de que tanto precisamos.

E tudo isto não tem nada, mas absolutamente nada a ver com eles. É só connosco e com um enorme desequilíbrio nas nossas vidas. Só que, 'quem paga por tabela' são quase sempre eles.

E a culpa não é de ninguém, porque essa tem costas largas e morreu solteira. Mas a responsabilidade é toda nossa - e só a nós diz respeito assegurarmos o nosso descanso, a procura de estratégias para criarmos relações mais felizes e com maior significado. Nada disto está nas mãos dos miúdos, só em nós. Daí que o trabalho que realizo seja feito diretamente com os pais. No desenvolver deste meu projeto sei que a grande transformação é feita nos adultos.

Vale a pena reveres este vídeo da Jada Smith que reforça a ideia da responsabilidade da nossa felicidade.




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