Os pais devem estudar com os filhos: sim ou não?

5.4.18

Texto de Sofia Teixeira | Ilustração de Sérigio Condeço/WHO

Noticias Magazine

O terceiro período está a chegar e é decisivo para o sucesso escolar dos seus filhos. Ver o desastre iminente e não fazer nada é difícil, mas devem os pais ajudar os miúdos a fazer os trabalhos de casa e estudar com eles para os testes ou deixá-los por conta própria? A resposta pode resumir-se com um «no meio está a virtude», sendo certo que esse meio-termo nem sempre é fácil de encontrar.


Andreia Reis senta-se algumas vezes por semana ao lado de Tomás, de 6 anos, para supervisionar os trabalhos de casa. Tomás ainda tem poucos trabalhos e a mãe costuma deixar que ele escolha quando quer fazê-los, tentando apenas que não adie demasiado.

O pequeno é despachado e a mãe acompanha-o lendo o que é solicitado e pedindo uma correção aqui e outra ali, sobretudo para o incentivar a melhorar a letra. O filho entrou no primeiro ciclo e a única dificuldade que Andreia lhe deteta é a de conseguir ficar sentado.

«Sempre tive uma imagem muito idílica do início da escola, dele a fazer os trabalhos comigo ao pé e tudo a correr muito bem. Mas a verdade é que às vezes eu própria fico impaciente, porque ele está sempre a querer levantar-se, não se concentra, arranja mil e uma desculpas para dispersar a atenção.»


O apoio que é necessário ou desejável por parte dos pais no que respeita ao estudo tem uma relação direta com a idade e com a maturidade

Até ver, e apesar da agitação na altura de fazer os trabalhos, o filho está a sair-se bem. A mãe gosta de puxar por ele de forma lúdica: «Sentamo-nos à mesa e leio um livro com ele, fazemos jogos de palavras, brincamos com os números, fazemos contas de cabeça. Acho que isso vale mais do que estar sentado a escrever “P” e “L” vezes sem conta.»

O apoio que é necessário ou desejável por parte dos pais no que respeita ao estudo tem uma relação direta com a idade e com a maturidade: a autonomia na realização de qualquer tarefa é um processo gradual que, de início, tem de ser ensinado e treinado.

«Tal como uma criança não aprende a arrumar o quarto se não for ensinada e ajudada, o mesmo acontece com o estudar», defende Magda Gomes Dias, formadora certificada na área da inteligência emocional, educação positiva e coaching e conhecida pelo blogue Mum’s the Boss.


Há quem chame os pais-helicópteros, aqueles que estão sempre a girar em torno dos miúdos e que frequentemente, acabam por lhes comprometer a capacidade de ser autónomos.

«É natural que quando a criança começa a escola ainda não saiba como fazer isso, pelo que é importante ajuda, de forma a criar bases de estudo, organização e disciplina.» Ou seja: ajudar nos estudos faz sentido antes de lhes ensinarmos estas competências, mas também é importante perceber quando é altura de parar. «Quando as competências estão apreendidas, devemos assumir que é responsabilidade deles», explica a coach.

Como em quase todos os temas que envolvem a educação dos filhos, há alguns extremos. Num deles, os pais que chegam a casa e veem todos os dias com os miúdos o que eles deram na escola, vigiam os TPC, ajudam a fazer trabalhos que contam para a nota e estudam com eles para os testes.

A estes, há quem chame os pais-helicópteros, aqueles que estão sempre a girar em torno dos miúdos e que frequentemente, com a melhor das intenções, acabam por lhes comprometer a capacidade de ser autónomos.

Por outro lado, há os que se distanciam e declaram: «Eu já fiz a escola, agora esse é o teu trabalho, eu também tenho o meu.» E a estes há quem chame desleixados e os responsabilize pelo insucesso dos miúdos.

Como aconselha o bom senso, é no meio-termo que está a virtude: não é benéfico assumir as responsabilidades deles, mas é importante acompanhar, perceber as dificuldades e motivar.

«Todo o apoio deve ser pensado para não pecar por excesso, o que provoca um alhear dos alunos no processo porque há sempre alguém a ajudar, nem por défice, fazendo o estudante sentir-se desamparado», defende Renato Paiva, diretor da Clínica da Educação e da Academia de Alto Rendimento Escolar WOWSTUDY, autor de vários livros sobre o estudo dos mais novos. Ainda assim, o autor defende que estudar com eles ou ajudar a fazer os TPC, passada a fase de adaptação à escola, não é boa opção.

«Os pais podem ser um auxílio em alguma dúvida, dar orientação, mas nunca serem companheiro de estudo. O estudo é, e deve ser, um ato individual que depois se socorre de auxílios, como o livro, a calculadora, a internet ou os pais», defende o autor.

Não só porque é necessário fomentar desde cedo a autonomia no estudo, como por razões de ordem mais prática: «Os pais não sabem todas as matérias nem são capazes de acompanhar todos os anos. Além disso, não é só preciso saber da matéria, mas também saber explicar de forma correta.»


Fazer os resumos para os filhos, por exemplo, pode parecer uma ajuda, mas é na realidade complicar-lhes a vida, pelo menos a médio prazo.

A segunda atitude, de «não querer saber», defende que já esbarra no desleixo, porque a autonomia é, antes de mais, dar condições para o desenvolvimento dessa mesma autonomia.

E isso passa pela necessidade inicial de algum apoio e, sobretudo, pelo interesse.
Marta Simões, mãe de Diogo, de 11 anos e Joana, de 9 anos, alinha neste equilíbrio. «Eles sabem que a responsabilidade é deles e a minha participação funciona como uma “supervisão”.»

Diogo e Joana fazem os TPC sozinhos, mas sabem que podem tirar dúvidas com a mãe, que está sempre por perto, e em relação ao estudo gostam apenas que a mãe lhes faça perguntas sobre a matéria. «Opto sempre por lhes pedir que estudem sossegados no quarto, e quando acharem que já estão preparados tiro uma hora para estar com eles a fazer perguntas.»

Até hoje tem dado bons resultados e funcionado bem, são os dois responsáveis e bons alunos. Marta está ciente que de futuro não vai poder tirar-lhes dúvidas nem estudar com eles, à medida que o nível de exigência for subindo, mas acredita que, até lá, conseguirão adquirir em pleno os métodos e os instrumentos necessários para a sua autonomia e, um dia, o papel dela vai acabar por passar para os colegas dos filhos.

Os pais mais zelosos estão a ser bem intencionados, mas nem sempre estão a seguir o melhor caminho. Fazer os resumos para os filhos, por exemplo, pode parecer uma ajuda, mas é na realidade complicar-lhes a vida, pelo menos a médio prazo.

«Entendo o objetivo – que é poupar algum trabalho aos filhos para eles poderem brincar ou fazer outras coisas –, mas é estar a tirar-lhes a melhor forma que têm de aprender: resumir é mais de cinquenta por cento da aprendizagem, se os pais assumem essa tarefa, estão a tirar à criança a capacidade de aprender por ela própria», explica Magda Gomes Dias, Maria João Tavares está familiarizada com essa teoria, mas não concorda com ela.

Perante a desmotivação da filha Estela, de 10 anos, que está numa fase em que acha a escola uma seca e não gosta de estudar, acaba por se sentar junto dela para a ajudar a fazer resumos, sobretudo ao fim de semana. «Os TPC faz sozinha, mas o estudo tenho sempre de acompanhar, não tem motivação para o fazer sozinha.»

Nunca equacionou deixar a filha por sua própria conta, de forma a confrontá-la com a necessidade de estudar mais porque entende que ela com 10 anos ainda não tem maturidade para isso.

«Não receio criar uma dependência, um dia irá estudar sozinha: todos temos ritmos diferentes. Procuro encontrar formas de a motivar e acho que não devo desresponsabilizar-me», diz Maria João, que entretanto pôs também a filha num centro de estudos três tardes por semana.

Renato Paiva garante que uma das principais questões dos filhos é a do sentido da escola. «Há muitos alunos que não perceberam para que serve a escola. Porque devem estudar Físico-Química, ou Filosofia, ou Matemática se o interesse deles é outro», já os pais, garante, esperam demasiado desta.

«Delegam na escola grande parte do trabalho. Em parte com razão, mas também têm uma responsabilidade inerente da qual não devem alhear-se.» O tal meio-termo, tantas vezes difícil de alcançar.

A motivação é, de resto, um dos aspetos essenciais da relação dos miúdos com a escola e, muitas vezes, as dificuldades são consequência da sensação que têm de que aquilo que estão a aprender não serve para nada. Mas o que podem os pais fazer para combater isto?

«A motivação é uma porta que abre por dentro», diz Magda Gomes Dias. «Não consigo motivar ninguém que não queira ser motivado, mas é importante interessar-me e tentar ajudar a tornar a matéria interessante integrando-a, quando é possível, no dia-a-dia: ir dar um passeio para ver onde o escritor escreveu aquele livro, procurar um filme relacionado com a matéria e vê-lo com os miúdos», exemplifica.

Já as coisas abstratas, não integráveis no dia-a-dia, mas que têm de ser sabidas, permitem, de acordo com a coach, outra aprendizagem – penosa, mas importante: a do espírito de sacrifício, que vamos ter de usar tantas vezes pela vida fora.

Afinal, porque motivo é que o pai é tão importante na vida dos filhos?

19.3.18


"Ele com o pai não faz isso". "Se fosse comigo, sabes que ele não se punha assim."

Parece que muitas crianças se comportam de forma diferente com o pai e com a mãe. E,
aqui entre nós, ainda bem que elas podem ter modelos diferentes e pessoas que são distintas na sua educação. Saem a ganhar! 
E porquê? Por vários motivos: primeiro porque aprendem a adaptar-se e a adaptarem a forma como comunicam com cada um dos interlocutores. Desta forma, ficam a saber, desde cedo, que a vida vai ser sempre assim - uma série de ajustes e adaptações a realidades e pessoas.
No final, e mesmo com tantas diferenças e estilos de fazerem as coisas, a presença do pai na vida de uma criança é fundamental. Não só porque todas as crianças merecem crescer em família (junta ou separada, mas o importante é a presença) como os próprios adultos ganham com isso.

Por isso, fui à procura de estudos que confirmam aquilo que já sabemos do senso comum e que é importante relembrarmos num dia como hoje. 

Reuni a informação que recolhi em 4 grandes pontos. Tenho a certeza que vai gostar de saber porque é que a presença do pai é, afinal, tão importante e tenho a certeza que vais querer de partilhar!

1) Relação de cumplicidade e amor que se constrói
A relação que o pai e os filhos criam é uma relação única que tem um impacto enorme na forma como a criança vai construir a experiência da sua vida.  Na verdade, a qualidade desta relação dá-nos pistas para o seu bem-estar psicológico atual e futuro e também lhe servirá de inspiração para o seu papel enquanto ser humano. Mas os estudos apontam mais do que isto: o cuidado que terá na sua vida financeira e também em relação ao cuidado com o seu corpo e mente parece ser influenciado pelo pai.

Ao contrário do que nos fizeram acreditar, o instinto paternal existe! A ciência provou, recentemente, que também o pai desenvolve esse instinto. Mais: quanto mais tempo passar com o recém nascido, entre colo, banhos e mudanças de fralda, mais este instinto se ativa. Daí que Portugal esteja de parabéns pelas medidas que envolvem o pai na parentalidade.
Podes ler mais aqui

2) Melhor relação = menores dependências
Quanto melhor for a relação com o pai, menor será a possibilidade do jovem consumir drogas. Ao que parece, quanto mais segura a criança se sente na relação com a família e, neste caso, com o pai, menor é a possibilidade de enveredar por comportamentos aditivos e delinquentes.
No caso de famílias divorciadas, é imprescindível que a criança tenha o apoio dos dois e se sinta segura em relação ao amor que cada um dos pais tem por ela. Este amor mostra-se não por palavras mas antes por gestos, por um interesse genuíno pela vida da criança e pelo carinho com que ela se sente tratada. E carinho e amor nunca estragaram uma criança. Passar tempo com a criança é pois, imprescindível, sobretudo quando se tratam de famílias separadas. A relação conjugal poderá ter terminado mas a relação parental essa não terminará.

3) Pais participativos, filhos mais inteligentes
Não quer dizer que o filho seja mais inteligente porque sai ao pai ou à mãe. Mas os resultados académicos estão largamente dependentes da presença e participação do pai na vida escolar dos filhos. Este estudo mostra-nos que quanto mais intervertido, maiores são as suas competências verbais e intelectuais. Por outras palavras, quanto mais presentes e incluídos, mais probabilidades têm os filhos de obterem melhores resultados e serem mais felizes, academicamente.

4) Modelo de futuro
Nem sempre as relações funcionam e parece haver cada vez mais família divorciadas e recompostas. O que acontece a cada família pouco importa desde que os atores principais saibam como gerirem as suas decisões e o modelo que desejam ser para os filhos.
Quanto mais memórias felizes souberem criar e quanto mais respeito, interesse e valor oferecerem nessas relações mais a criança aprende como pode fazer e continuará a confiar na estrutura família como algo a reproduzir no futuro, à sua maneira.
https://www.psychologytoday.com/blog/longing-nostalgia/201405/nostalgia-mental-time-machine 

A presença do pai na vida de cada criança é tão importante quanto a da mãe - nunca te esqueças disso! Parabéns a ti que és pai! Exerce o poder mágico que tens na vida de cada um dos teus filhos!

Este post foi oferecido aos leitores do Mum's the boss pela Sunquick - a nossa bebida de infância.
É na infância que construímos a base do nosso futuro e as nossas memórias mais importantes.

Um brinde a todos os pais! E fiquem a conhecer os novos concentrados Sunquick com 30% menos açúcar. 




Miúdos demasiado stressados

6.3.18


Apesar de haver cada vez mais movimentos para abrandarmos a nossa vida e que nos lembram que devemos estar mais presentes no momento, continuo com a impressão que, ainda assim, muitos de nós levamos vidas cada vez mais agitadas, com imenso stress, solicitações e distrações. Mais, muitos sentem-se culpados por não conseguirem abrandar. O mesmo se passa com os nossos filhos - há cada vez mais avaliações, trabalhos de casa, solicitações. Passamos horas em trânsito e no trânsito, chegamos tantas vezes arrasados a casa e a vida parece passar sem que por ela passemos. E bolas, já estamos em Março!!

É nossa responsabilidade proteger os nossos filhos destas situações que provocam danos - a forma como estamos a viver não é sustentável.
Deixo-te abaixo 5 pontos para pensares e implementares na tua vida, se te fizerem sentido:

1) Cria um ambiente de paz em nossa casa
Nenhuma criança se consegue sentir tranquila, serena e descansada quando em casa se grita, se anda depressa e é tudo feito a correr. Se as nossas casas são lugares de segurança e o porto seguro, é preciso garantir que o são mesmo.

2) As atividades extra-escolares não têm de ser fonte de tensão - a criança só tem de se sentir motivada e de gostar. E aí tornam-se atividades em que se aprende outras coisas, se conhecem outras pessoas e até podem ser fonte de descontração, bem-estar e crescimento pessoal. Se não forem, é preciso repensar a situação.

3) Escuta mais
Sem teres necessidade de amparar, corrigir ou direccionar. Escuta, apenas. Só isto provocará uma sensação de bem-estar no outro. Vai uma aposta?

4) Organiza
Quanto mais organizada for a tua vida e as tuas coisas, quanto maior ordem houver e quanto menos coisas existirem menos stress sentirás. O livro da Marie Kondo (espreita aqui e aqui) é uma excelente inspiração que vais querer conhecer.

5) Desacelera
Não tens de ir a todas, não tem de ser perfeito e não tem de ser de acordo com as expectativas dos outros. É a tua vida, tu é que sabes como tem de ser. Ensina também isso aos teus filhos

6) Intimidade em família
Há muitos testes na próxima semana? Então prepara um jantar bom e agradável, saiam para caminhar um pouco depois da refeição e apanhem ar. Ensina os teus filhos a importância das pequenas pausas para que se permitam existir entre tantas solicitações.

7) Presente!
Está mesmo presente - a nossa presença (e a qualidade da mesma) ajuda (ou piora, depende da qualidade!) a criança a sentir-se mais serena, protegida e a relaxar. A tua presença é mesmo necessária.

Quando os papeis se invertem...

5.3.18



Aprender um desporto novo em idade adulta tem muito que se lhe diga. Foi o que me aconteceu no ano passado quando aprendi a fazer ski. E, como acontece, frequentemente, com muita gente, passei o primeiro dia a aprender a travar, a manter-me de pé e a levantar-me com os skis nos pés (ou seja, a cair!). Não precisei de chegar ao final do dia para ter vontade de desistir. Muitas vezes. Mas não podia ser – na manhã seguinte, lá estávamos nós para mais um dia nas pistas. A minha filha mais velha olhou para mim e deve ter percebido que eu estava com a sensação de que o dia ia ser longo. E que não tinha vontade de repetir o dia anterior. Então perguntou-me: ‘Posso ensinar-te, queres?’ Olhei para ela como se alguém tivesse descoberto o que precisava sem que o tivesse verbalizado. Precisava que alguém me levasse pela mão e então disse-lhe logo que sim! E a magia aconteceu. Ela seguiu à frente e disse-me, simplesmente, ‘Faz como eu! Confia em ti e em mim porque vou mostrar-te como é!” Andámos o dia todo juntas. Ao fim de uma hora já me aguentava em cima dos skis, já conseguia parar a meio de uma descida e começar a perceber porque é que tanta gente gosta deste desporto. A minha filha usou todo o seu poder pessoal para mostrar o que de melhor tem nela. Soube ter a paciência para me ensinar, para não me deixar desistir e de me ajudar a evoluir. O Daniel Siegel, que entrevistamos no especial desta edição, diz-nos que os adolescentes não são imaturos e que esta não tem de ser uma fase má. Pelo contrário, é um período muito importante da construção da pessoa. Quando conseguimos identificar o nosso poder pessoal e fazemos uso dele, percebemos melhor quem somos e desafiamo-nos a ir mais longe. Sentimo-nos bem na nossa pele, confiantes, tendo, simultaneamente, a noção de que podemos continuar a aprender para que esse poder seja ainda melhor. Para isso precisamos de reorganizar a forma como olhamos para os nossos jovens. Esta revista é exatamente sobre a fase absolutamente incrível que a adolescência pode ser. Queremos mostrar-te isso para que não tenhas medo dela. Mais, queremos que ajudes o teu filho a descobrir todo o seu poder pessoal! 




Entrevista e dicas práticas para evitar os conflitos entre irmãos

19.2.18



Não podemos falar de conflitos entre irmãos sem falarmos daquilo que os une e da enorme cumplicidade que podem sentir. Uma fonte de felicidade para qualquer família é ver os seus filhos protegerem-se, entenderem-se e criarem uma aliança forte e duradoura.
No entanto, a realidade é, por vezes, bem diferente. E esta realidade pode perturbar a dinâmica e o bem-estar familiar.
Neste link podes ver a entrevista que dei ao Porto Canal. E também te podes inscrever aqui para vires ao nosso workshop!







Os 4 pontos que tens de usar e que te vão ajudar a estabelecer limites com os teus filhos

16.2.18


Em vários posts deste blogue fomos falando sobre limites e regras. Estes são fundamentais para que a criança possa crescer de forma segura. As regras não são apenas uma mania dos adultos embora haja muita gente grande que goste de afirmações como  'Ele tem de perceber que não pode fazer tudo o que quer' e 'Ele tem de saber que há regras' como se a criança não fosse tida nem achada mas antes considerada um ser com muitas limitações que deve obedecer, sem questionar, aos pais.

Se formos a ver bem, na prática não existem muitas regras - ou não deverão existir. Comemos todos à mesa, não batemos nos irmãos, cumprimentamos as pessoas quando nos cruzamos com elas e por aí em diante. A maior parte são regras que tornam a nossa vida mais simples, assumindo também as regras sociais. E depois há aquelas regras em que negociamos. Vamos imaginar a questão da utilização do tablet, em casa. Vamos supor que permitimos os nossos filhos jogarem durante 20 minutos à sexta à noite, depois do jantar, e ao fim-de-semana mais um pouco, depois dos trabalhos feitos. Esta é a regra que estabelecemos com eles. E como consequência podemos decidir que caso peguem no tablet nos outros dias ou em alturas que não era previsto, ficam sem o tablet durante dois dias do fim-de-semana. É um exemplo! Para que eles se sintam envolvidos é importante:

1 - Decidirmos com eles este tipo de regras (por exemplo o não bater não é negociável!).
2 - Pedir que digam em voz alta o que entenderam e o que se comprometem a fazer
3 - Enunciarem a consequência.
4 - A consequência ser justa

Basicamente, estes são os 4 pontos essenciais para estabelecermos limites como deve de ser.
Onde é que falhamos? É que não fazemos aquilo que temos de fazer. Com a insistência deles ou porque nos dá jeito, cedemos, fingimos que não vemos e esta regra deixa de ser regra e passa a sê-lo só quando nos dá jeito. E não pode ser. Para que aquilo que nós fazemos seja válido e tenha força, temos de ser coerentes e firmes. Naturalmente que muitas vezes eles vencem-nos pelo cansaço - é verdade - mas a verdade é que a nossa firmeza é um ponto que devemos trabalhar e afirmar, sem receios. Sabes porquê? Porque como te disse acima, as regras são essenciais para que eles possam sentir-se seguros.





Não deixes de ver este vídeo e inscreve-te na nossa ação mais completa onde trabalhamos a fundo a questão da firmeza e como não quebrar quando eles insistem, e também da escuta da criança, das suas necessidades. Espreita aqui e anda daí!


TPC: trabalho ou tortura para casa?

15.2.18


Obrigar as crianças a fazer TPC só porque sim é assumir que elas são preguiçosas e que não se pode confiar nelas (motivo pelo qual têm que ser forçadas a aprender). Isso não poderia ser mais errado.

Continua a ler aqui

Porque se fala tanto em literacia emocional?

9.2.18



Podemos definir literacia emocional como sendo a capacidade que temos em interpretar, compreender e dar nome àquilo que sentimos. O que nem sempre é assim tão óbvio.
Estar zangado é muito diferente de nos sentirmos frustrados mas estas duas emoções são facilmente confundidas. E porque é que é assim tão importante sabermos (sentirmos?) qual é a diferença?

1 - Em primeiro lugar porque quando sabemos aquilo que estamos a sentir conseguimos muito mais facilmente sair desse estado para outro que nos seja mais conveniente. A isto chama-se gestão emocional. Quando a emoção está mal identificada não há 'clique' que se faça. Continuamos à procura do que sentimos e parece que nada nos serve até termos a certeza que é aquela. Ora, se não temos palavras para a descrever, fica difícil evoluir de um estado para outro.
Recordo-me de há umas semanas o meu filho ter chegado ao carro e me contar que estava chateado com um amigo da escola. Contou-me o que tinha acontecido e eu retorqui, respondendo 'Deves estar mesmo triste.' 'Não, estou mesmo chateado!'. Ele conhecia a emoção e sabia que era aquela. Não era tristeza e isso permitiu que, depois de contar o que tinha acontecido, tivesse conseguido colocar de lado a questão. E também me mostrou que ele já tem vocabulário emocional e isso deixa-me feliz!

2 - Ajuda-nos a evitar situações semelhantes. Se um determinado acontecimento me provocou ansiedade, chatices ou outra emoção negativa, posso impedir que o mesmo aconteça novamente. A parte interessante é mesmo esta.

Para poderes aumentar a tua literacia emocional, no livro Crianças Felizes encontras 2 capítulos dedicados ao tema (inteligência emocional e comunicação positiva) e aqui, ainda mais desenvolvido, aulas sobre o assunto!


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Devemos ser amigos dos nossos filhos?

30.1.18


Gente boa,quando estiveres a ler este texto, estarei com a minha filha mais velha a participar nas XI jornadas da Infância da C.A.S.A Bernardo Manuel Silveira Estrela. De vez em quando a vida encarrega-se de nos criar possibilidades para estarmos juntas só as duas. Saímos a ganhar - é uma espécie de dia do filho único esticado. E estas oportunidades são excelentes momentos para nos conhecermos melhor. Mesmo atenta e mesmo presente, a verdade é que há tanto que nos escapa. 

Quando chegámos à Ribeira Grande, onde está a acontecer este evento, ficámos a saber que hoje é o Dia das Amigas (escrevo-te de véspera). Ao que parece, nos 4 fins-de-semana que antecedem o Carnaval, celebra-se o Dia dos Amigos, a seguir o das Amigas e depois o dos Compadres e Comadres. E isso fez-me pensar numa questão que me colocaram há uns tempos - será que devemos ser amigos dos nossos filhos? E depois como é que os corrigimos e como é que nos fazemos respeitar? Acredito que a geração atual de pais (e estou convencida que muitas outras gerações também, felizmente) desejam ter uma relação de afectos com os filhos. Eu não sei o que entendes por amizade mas se entendes partilha de valores e de paixões então penso que podemos ser amigos dos nossos filhos. Já levei a minha filhla a concertos de grupos que gosto, já viajei sozinha com ela. Foi ela quem me ensinou a esquiar e frequentemente ajuda-me a perceber melhor o lado do outro. Em relação ao corrigir, podemos (devemos) corrigir porque isso faz parte da missão parental. E respeito é um valor fundamental em TODAS as relações, que se vai construíndo. Sabes, acredito que desenvolvemos vários tipos de amizade com propósitos diferentes. Há amigos a quem confidenciamos umas coisas, outros são companheiros de diversão e há aquelas pessoas com quem gostamos de estar de vez em quando mas a quem, possivelmente, não chamamos amigos. E podemos ser pais que desenvolvem uma relação de afectos com os filhos que, à medida que vai crescendo vai passando por etapas diferentes e de maturação. E eu adoro passar tempo com os meus porque me fazem descobrir coisas novas sobre mim. Se isto não é uma das coisas que caracteriza a amizade, então é o quê?


2 pontos que fazem toda a diferença na parentalidade tal como na vida

30.1.18


Já aqui o disse e volto a dizer - um dos aspectos mais importantes para que possamos exercer melhor não só a nossa parentalidade como tornarmo-nos melhores pessoas passa por vários aspectos. Estes dois que se seguem são, para mim, aqueles que marcam toda a diferença:

1. Escutar ativamente
Não creio que escutar verdadeiramente o outro seja algo natural em nós. O nosso cérebro tem demasiados 'macaquinhos' que andam de galho em galho, não deixando sossegado o nosso pensamento. Escutamos à superfície, com filtros ou sem a entrega necessária para ouvir o que não é dito por palavras. Continuo a achar que escutar é um ato de coragem porque, quando criamos este espaço com o outro, criamos um lugar seguro para acolher o melhor e também o pior que o outro tem.
Mas escutar é mais do que isso - dá (ou devolvo) o sentimento ao outro do seu valor. E sabes, isso não tem preço.

2. Quem nos escute ativamente
Nem todos merecem conhecer as nossas fragilidades. A ideia é transmitida nesta entrevista de 2013 que a Brené Brown dá à Oprah e que uma aluna da Pós-Graduação me enviou. Tal como é referido nesta entrevista, o Programa +Escuta Ativa (que se insere dentro da nossa Pós-Graduação) transforma a forma como passamos a escutar o outro, sublinhando a importância deste momento. Quem já passou pelo Programa sabe bem do que falo. E por isso preciso de te colocar esta questão Tens quem te escute ativamente, sem filtros, avaliações, comparações? Sem diminuir o que sentes ou, pelo contrário, fazendo-te sentir pior? Nos dias em que correm parecem faltar essas pessoas que, ao contrário do que possas imaginar, não têm de ser os nossos melhores amigos. Se não tens, procura. Por vezes salva-nos a vida.

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Como lidar com crianças que têm mau perder?

23.1.18


Se a mãe ganha no jogo do berlinde já sabe que vai haver birra. "É batota!" ou "Não quero jogar mais!" são algumas das respostas habituais do filho. Mas a escalada de frustração pode terminar com um gesto mais drástico: palmadas nas pernas da mãe. Seguidas por gritos como: "És má!" As birras de mau perder de Rodrigo, de 5 anos, são mais ou menos assim. Não gosta nada de perder e quer ser sempre o primeiro em tudo. "Se eu meto o berlinde primeiro no buraco ele fica chateado, faz beicinho e pede para eu o deixar ganhar", conta a mãe, Mara Ferreira, à SÁBADO. É neste momento que Mara não consegue dizer que não e acaba por ceder. "Faço-lhe a vontade porque ele faz aquelas carinhas e pede por favor. Se lhe disser que não, chora."




A coach parental e autora do blogue Mum’s the Boss, Magda Gomes Dias, acredita que esta não é a melhor estratégia – apesar de se poder deixar ganhar algumas vezes, esta não pode ser a regra. A solução é ajudar a ganhar. "Dizer: ‘Hoje jogamos juntos e vou-te mostrar porque é que vais pôr esta carta e não aquela.’ Desta forma dou a possibilidade à criança de ganhar, não porque me fiz de tonta, mas porque a ajudei a ganhar de forma estratégica."

Até nos dados, Rodrigo tem de ter o maior número de pontos, caso contrário faz batota. "Se a tia contar 9 e se ele tiver 6, já está tudo estragado. Depois vira o dado e diz que tem mais. Para ele não é batota, mas se nós ganharmos já é", revela Mara. Mas nem sempre foi assim: antes dos 3 anos, Rodrigo não se interessava muito por jogos. "Acho que foi a partir dessa altura que ele passou a perceber o que significa perder e ganhar, porque também jogava na escola." A psicóloga Jordana Pinto Cardoso explica que, por norma, as crianças costumam ficar mais competitivas a partir dos 2 anos. E acrescenta: "Muitas vezes são impulsionados pelos comentários dos pais ou dos educadores como ‘vamos ver quem é o primeiro’." Magda Gomes Dias atira outra explicação: "Ainda são imaturos em termos emocionais e associam o perder a não gostarem deles."



Mas Rodrigo não é caso único. Mariana, com a mesma idade, fica muito amuada com a mãe, Ana Marçalo, quando ela não a deixa ganhar. Já com o pai a história é outra. "O pai deixa-a ganhar porque não gosta de a ver triste e viu na televisão uma apresentadora a dizer que o avô a deixava ganhar sempre porque queria que ela fosse uma vencedora na vida", explica Ana. Não é de estranhar que o oponente favorito de Mariana seja o pai. "O que a investigação tem mostrado é que, habitualmente, a relação com o pai está mais ligada à componente lúdica, do brincar, e a relação com a mãe com os cuidados directos, apesar da tendência estar a mudar", diz a psicóloga.

E quando se tem irmãos?
Carminho tem 4 anos e um feitio apurado. Com os pais e o irmão, Manel, de 9 anos, costuma jogar às cartas. Quando se apercebe de que não ganhou, irrita-se e fica com cara de maldisposta. A mãe, Maria, tenta consolá-la: "Não importa perder, importa estarmos aqui a brincar as duas e com o mano. Gosta de brincar com o mano, não é? O mano ganhou, mas da próxima vez a Carminho ganha, não tem mal." Mas a miúda olha para o lado, chora e queixa-se de que nunca ganha.

Ao fim de dois ou três jogos, a mãe deixa-a vencer um, no máximo dois, mas depois volta a ser um jogo justo, para o irmão não se chatear. Magda Gomes Dias sublinha que é importante não colocar os irmãos a competir um com o outro. E acrescenta: "Não é nada saudável. Podemos é fazer com que eles joguem na mesma equipa, contra outros." Maria faz a gestão das derrotas e vitórias, deixa a filha ganhar porque não quer que ela desista, nem que fique revoltada com ela própria. "Tenho de a motivar e para isso tenho de a deixar ganhar, mas não pode ser sempre", explica à SÁBADO.

Duarte, 8 anos, costuma jogar ao Pictionary e às cartas com os pais e o irmão. Quando perde, a reacção é de frustração, não quer jogar mais. Até em jogos de futebol com os vizinhos é capaz de pegar na bola e ir para casa. Resultado: ninguém joga mais. "Já não o deixamos tanto ganhar, só quando era mais pequenino. Agora tem de perceber que se perde e se ganha", diz Olga, mãe de Duarte. E acrescenta: "Antes ficava muito contente, mas depois vinha o irmão e dizia ‘ganhaste porque te deixaram’ e estragava tudo."


Sábado, publicado em 16 Novembro 2017

A Supernanny é Parentalidade Positiva?

21.1.18



Num dos grupos de alunos Pós-Graduados em Parentalidade Positiva, foi deixado este link onde se dizia que os métodos utilizados pela SuperNanny eram métodos de Parentalidade Positiva. De alguma forma é como se este título - Parentalidade Positiva - pudesse aliviar ou até justificar o programa que a Sic tem emitido e que se recusa a retirar do ar. E quando a confusão está lançada, é urgente uma explicação e clarificação para que não andemos a brincar com as palavras.

Para quem não sabe, em 1989, a Convenção Internacional dos Direitos da Criança [podes descarregar aqui o documento] pôs em marcha  uma "revolução tranquila" no que diz respeito às relações entre pais e filhos. As ideias que foram redigidas nessa convenção foram mais tarde recuperadas, em 2006, pelo Conselho da Europa na Conferência dos ministros europeus responsáveis pela área da família. Aí ficou decidido que a parentalidade deve estar na esfera do domínio político e a educação deve apoiar-se nos afectos.
Desta reunião sai uma recomendação que é muito clara e que tem como objectivo encorajar os estados membros a promoverem políticas de parentalidade positiva no sentido de apoiarem as famílias na educação dos seus filhos, passando por políticas familiares, programas de apoia a essas famílias, instituições e outras medidas.

Mas o que é a parentalidade positiva? "A parentalidade positiva promove um comportamento parental que respeita o superior interesse da criança, os seus direitos" (Convenção das nações Unidas), favorecendo a sua autonomia e considerando-o, desde logo como uma pessoa por inteiro.


Uma pessoa é uma pessoa independentemente do seu tamanho. 
Dr. Seuss

O texto continua e explica que a parentalidade positiva não é uma parentalidade permissiva porque estabelece limites claros necessários ao desenvolvimento seguro da criança. Esta parentalidade tem por base uma educação com base em afectos, onde não são considerados os castigos, a agressão física nem a agressão psicológica que pode ser feita através de comportamentos humilhantes, violando assim a sua integridade enquanto ser humano.

Sabemos que a Convenção Europeia dos direitos do Homem e a sua jurisprudência garantem a todos o direito ao respeito da sua vida privada e familiar. Simultaneamente, descrevem a família como uma célula fundamental da sociedade que tem o direito de ser protegida protecção.

É leviano chamar aos métodos utilizados no programa (e ao programa em si) como sendo o exercício da Parentalidade Positiva. Considero que pode 'dar jeito', uma vez que o tema está na moda, que muito se fala atualmente sobre parentalidade. Mas não são métodos de parentalidade positiva porque humilham, não trabalham a autonomia nem dão um poder positivo aos jovens.

Como terás certamente reparado, a Escola da Parentalidade tem o meu nome - e não é em vão. O objectivo é deixar claro o modelo que temos, que registamos como nosso (haverá outros) e que repudia por completo estratégias como o cantinho do pensamento, as humilhações, ameaças ou subornos. O modelo que desenvolvemos tem por base o respeito mútuo entre pais e filhos. Terminei ontem a primeira fase da Pós-Graduação em Parentalidade Positiva que ministramos e o apoio que damos é diretamente às famílias e instituições. Este conhecimento que é transmitido capacita os alunos para fazerem uma intervenção (profissional ou nas suas famílias) que não só lhes confere um poder mais positivo como cria um ambiente de paz e de desenvolvimento seguro (emocional e físico) para todos os elementos. É um modelo que tem por base os afectos, a vinculação e assenta na transformação da relação e da comunicação.

Por tudo isto, nunca a Parentalidade Positiva poderia apoiar, sequer, a ideia do programa, que expõe a família, não a protegendo.

Para saberes mais sobre o trabalho que temos desenvolvido clica aqui:

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A Autorregulação em 3 passos

20.1.18



Um dos tópicos que abordamos ao longo de toda a Pós-Graduação que está a decorrer aqui no Funchal é a autorregulação dos pais. Há imensos segredos para exercermos uma parentalidade mais positiva e que traga mais significado aos nossos dias e um deles passa, inevitavelmente, por nos auto-gerirmos e termos atenção ao tipo de resposta que damos.

Na verdade, como escrevi no Berra-me Baixo e também no Crianças Felizes, não mudamos ninguém - apenas nos podemos transformar, num processo de melhoria contínua.

Há 3 passos por onde podes passar. 
Precisas então de identificar o que nos tira do sério, conhecendo qual é o nosso padrão de comportamento habitual. De seguida, reflectir qual seria a forma como gostaríamos de responder a essas situações e treinar. E sim, basta isto.
Ajuda, claro, leres o Berra-me Baixo que muito mais do que um livro sobre como deixar de gritar com os filhos mas antes um livro sobre como criar dias com mais significado, tranquilos e nos deixe ser os pais que sempre quisemos ser.

Segue-nos aqui:

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