Como explicar os incêndios às crianças

19.6.17


Ontem os meus filhos pediram-me para ver as notícias do incêndio de Pedrogão. Fizeram-nos algumas perguntas, tal como aconteceu no ano passado, com os incêndios na Madeira.

À noite, aqui ao pé de casa, percebemos que algo se passava. Diziam as notícias que um raio tinha caído na Petrogal e que, embora assustadora, a situação estava controlada. Fomos espreitar à janela e a minha filha mais velha fez aquele sorriso tímido, de medo, a pedir que assegurasse que tudo estava bem.

Mesmo para a gente grande, explicar uma tragédia destas dimensões é difícil. Torná-la compreensível para as crianças parece-me igualmente complicado porque, à mistura, há a nossa própria emoção, a dificuldade em aceitarmos e a dificuldade em compreender como é que algo desta natureza acontece e toma estas proporções. Hoje, dois dias depois do início da tragédia, continuamos a ler sobre famílias desaparecidas e do avançar dos fogos. Tudo aquilo que sentimos pode ser demasiado forte para que, de forma pragmática, consigamos ter algum distanciamento.

E talvez seja isso, justamente, que devemos contar e que, adaptado à idade, deverá ser algo do género. Mas antes disso, devemos perguntar o que é que a criança já sabe.

'Ouviste aquelas notícias na TV/Rádio/alguém a falar sobre elas, não foi? E o que ouviste?
Sim, o que está a acontecer é uma tragédia/muito grave/muito triste. Ouvi dizer/li que houve um grande relâmpago que caiu naquela zona e atingiu uma árvore. Queres ver onde fica? Porque tem estado muito calor, estavam reunidas as condições para que houvesse um fogo mas nunca se estaria à espera que algo tão grande acontecesse. Infelizmente, houve alguns* carros que foram apanhados pelo incêndio e algumas dessas pessoas morreram, tal como aconteceu nas aldeias à volta.'

É uma frase clara, pouco subjetiva e pouco emocional. Estamos a dar os factos à criança e vamos ajudá-la a compreender a realidade.

Se for possível, falemos mesmo com os nossos filhos acerca do que aconteceu, mesmo que não tenham perguntado nada. Quer queiramos, quer não, já terão ouvido e é nossa função ajudá-los a 'analisar' os factos para que não criem ideias deles que em nada correspondem à verdade. Que tipo de ideias? Que qualquer relâmpago pode causar uma situação destas. Que todos os incêndios poderão terminar em situações idênticas.

Se temos de lhes dizer sempre a verdade? Claro que sim! Já por diversas vezes escrevi neste blogue que a verdade, devidamente adaptada, é a base da criação da segurança da criança. Vamos explicar-lhe o que aconteceu, sem entrarmos em detalhes mórbidos. O segredo é contar factos.
E se houver perguntas como 'será que doeu, será que nos pode acontecer?', devemos também responder com a verdade e de uma forma serena.
'Sim, é possível que tenha doído... não temos detalhes, filho. E se nos pode acontecer? Sabes, estas são coisas raras de acontecer. Eu nunca tinha tido conhecimento de uma situação desta dimensão. Por isso a probabilidade que volte a acontecer é mesmo pequena.'

Finalmente, podemos levá-los a uma corporação de bombeiros para ajudar, podemos torná-los sócios da corporação da nossa zona, enaltecendo o trabalho destes homens e mulheres. Devemos falar sobre o interesse de zelarmos pela natureza, da necessidade de fazermos a nossa parte, por exemplo. E deixá-los colocar todas as questões. É fundamental recebermos os sorrisos tímidos e de medo com um abraço.


Um abraço bem forte a todos os que nos protegem e a todas as famílias e amigos que estão direta ou indiretamente envolvidos. Acredito que, mais do que nunca, esta é a hora de nos mantermos unidos para que tudo o que diga respeito a incêndios mude, em Portugal.



*eu opto por dizer alguns em vez de muitos porque não conheço os filtros das crianças. Para algumas, a palavra 'muitos' é mesmo muitos.

A Parentalidade Positiva na Mediação

16.6.17
Aqui fica mais um testemunho de quem frequentou a Pós-Graduação e adquiriu competências úteis para o exercício da sua profissão.


Sou Advogada e Mediadora de Conflitos e Familiar e trabalho essencialmente com Direito da Família, acompanhando também vários processos de Protecção e Promoção de crianças e jovens e Processos Tutelares educativo.

Após ter feito a Pós Graduação na Escola da Parentalidade e Educação Positivas, sou uma melhor profissional, com maiores ferramentas e competência para acompanhar e ajudar as famílias com quem trabalho. 

Espreite os testemunhos de todas as pessoas das mais diversas áreas profissionais que ja frequentaram esta Pós-Graduação e ficará a saber quais são as mais valias, tanto em termos profissionais como pessoais!                      

Joana Sardinha Zino, 3ª Edição da Pós-Graduação.

Lê aqui outro testemunho acerca da promoção de emprego na área

O que ir a um festival diz de nós enquanto pais?

8.6.17
Quem vai a festivais sabe que, a cada ano que passa, vemos cada vez mais crianças a acompanharem os pais. Bebés de colo, que ainda nem gatinham, a miúdos com 3 anos, que correm e saltam até miúdos mais velhos e mais altos que os pais.

Podemos achar que são pais cool, mas a verdade é que estamos perante um fenómeno que vai além disso.  Uma vez alguém perguntou-me se os pais de hoje desejam ser amigos dos filhos e se há algum problema nisso. Respondi dizendo que precisava de perceber melhor o que é ser-se, para essa pessoa, amigo dos filhos.
Mas, pegando nessa questão, atrevo-me a dizer que esta geração de pais deseja, entre muitas outras coisas, tirar satisfação da sua relação com os filhos e do seu papel enquanto pais. O objetivo poderá não passar por ser 'amigo' dos filhos mas antes partilhar com eles aquilo que nos dá satisfação. Mais do que amigos, queremos fazer com eles aquilo que nos dá gosto.

'Este gosto por música foi-me passado pelo meu pai que, desde sempre, nos fez escutar música em casa e nos levava a festivais.'


A Milaneza apoia este post

'Lembro-me de ver a minha mãe ler o tempo todo. Recordo-me de ir com ela para bibliotecas e livrarias. Infelizmente, não é algo que goste de fazer mas tenho imensas boas memórias dessa altura. Sempre que penso na minha mãe, vejo-a com um livro ou uma revista.'


Devemos partilhar com os miúdos as nossas paixões? Mesmo que possam não ter interesse nenhum para eles?
Claro que devemos! Temos mesmo de o fazer porque se é algo que nos dá sentido aos dias, merece ser partilhado. E partilhar não é impor, é dar a conhecer. Quando levo os meus filhos a estes festivais, mesmo que para eles isto possa não ter grande importância - não foi o caso desta vez - a verdade é que estão a aprender a viver o entusiasmo noutras pessoas que lhes são importantes. E quando partilhamos a felicidade com o outro, parte de nós também pode aprender a ser feliz. E isso é um ato enorme de generosidade e empatia.

Neste festival descobrimos um espaço só para crianças - da Milaneza - e onde podemos estar descansados com os miúdos. Percebi que há crianças que têm hoje 6 anos e que já lá vão há 3 anos. E isso é incrível!
Depois de um dia intenso, de muito trabalho e definição de projetos novos, sabe bem ficar a vê-los brincar enquanto nós ficamos a curtir a música e a namorar.



#milanezafestivais #alimentacaoeimaginacao #milaneza



Será que nos devemos meter nas brigas dos nossos filhos? vídeo incluído

1.6.17
A segunda semana do Desafio Berra-me Baixo, que está a ser transmitido em direto, e semanalmente, no Instagram e no Youtube, calhou no dia dos irmãos. E é verdade para alguns de nós, os conflitos entre os nossos filhos são difíceis de gerir. Como é que dois irmãos se podem dar sistematicamente mal ou terem tanta dificuldade em gerirem as suas discussões ou divergências? Porque insistem em pegarem-se, para nossos descontentamento e frustração?
Isso acontece porque nenhum relação está isenta de conflito, muito menos a dos irmãos.

A questão faz sentido - será que nos devemos meter nas brigas dos nossos filhos? Se ainda não viste, dá um salto ao vídeo abaixo para saberes um pouco mais e continua a ler. Aproveita para subscrever o canal de youtube.



A resposta é clara: não nos devemos meter nas brigas dos miúdos.
É verdade que quando vamos ter com eles e gritamos, é possível que tenhamos a sensação que a discussão acabou logo ali. Mas muito possivelmente vai recomeçar logo a seguir. E isso quer dizer que aquele conflito não terminou, só fez uma pausa. Na verdade, a resolução do conflito estava longe de ser conseguida. E isso é algo que não vamos querer - é fundamental que possamos ajudar os miúdos a resolverem os seus conflitos, aproveitando todas as ocasiões para o efeito.

Por outro lado, quando nos metemos, a criança vai querer convencer-nos que a culpa não é dela. Que não fez o que fez de propósito e o irmão vai tentar convencer-nos do contrário. Enquanto nos mantivermos ali, vamos continuar a alimentar um conflito e vamos sentir-nos tentados a tomar partido. E isso é algo que vamos querer evitar quando se tratar dos nossos filhos.

Por isso o ideal é pedirmos que eles se resolvam entre eles.

Mas sim, há alturas que temos de lá ir. Quais são esses momentos? Quando se estão a agredir e não conseguem parar sozinhos. E agressão também é agressão verbal. Aí sim, devemos parar a situação e mais à frente conversar sobre o assunto.

De resto, temos de ser capazes de promover um ambiente mais sereno, com menos conflito e com momentos em que os dois possam ter experiências positivas na relação. Só assim poderão ser mais flexíveis um com o outro.

Vamos ter um workshop sobre este tema, na 3ª Feira, dia 13 de Julho, no Porto. Anda daí, se queres saber mais sobre esta e muitas outras estratégias! Inscrições aqui


Todos os direitos reservados.

da infância, dos direitos e do se ser criança!

1.6.17
Que é feito da tua criança?



https://www.youtube.com/watch?v=BkQykD49uWM


É importante, pelo menos de vez em quando, tomarmos noção que há ainda demasiado crianças que não têm direito a infância, nem a brincar, nem a um ambiente de paz. É para isso que também existimos - para assegurar esses direitos.

Este é um dos meus filmes favoritos [perdi a conta ao nr. de vezes que já o vi] e a abertura do filme é genial. Infelizmente, este pedaço aqui é um remake mas vale a pena ser visto, mesmo assim.

Mãe criou método genial para não ralhar com o filho de 4 anos, com apenas 5 elásticos para o cabelo

31.5.17
Esta é uma notícia útil, com uma ideia original, que nos convida a exercitar a nossa autorregulação e a nossa responsabilidade em todas as relações.
Quem adere?

Um post publicado na página “Love What Matters” uma mãe relata como conseguiu não ralhar tanto com o seu filho de 4 anos, usando um método simples, e eficaz.


“Hoje, eu tentei algo novo.Algo que me obriga a exercitar a paciência com o meu filho 4 anos de idade. Eu usei 5 elásticos no meu pulso a partir do momento em que me levantei, até o deitar à noite.Os 5 elásticos representam cada vez que perco a calma ou digo algo indelicado ao meu filho. Cada vez que isso acontece, passo um elástico para o outro pulso. Para “ganhar o elástico de volta”, devo fazer 5 coias amáveis ou positivas com o meu filho (dançar, cantar uma música juntos, ler em conjunto, etc).Eu li que a ciência mostra por cada má reacção, demora 5 reações positivas para recuperar uma relação positiva.Eu vou usar este método até que se torne um hábito e, basicamente, se transforme em piloto automático. Eu cheguei a um ponto de tamanho stress, que batia com a minha cabeça contra a parede diáriamente, porque eu não entendia por que o meu filho de 4 anos de idade insiste em ser desrespeitoso, e um não ouvinte.Estava a ponto de chorar, pelo menos a cada dois dias. Depois disto, terminei o dia com os cinco elásticos no pulso inicial. Estou muito orgulhosa de mim mesma, por ter paciência com ele. Eu sei que é apenas um dia, mas estou esperançosa que isso me vai ajudar na comunicação, e no nosso relacionamento. Se também és uma “Mamã irritada”, tenta isto!

ÉVORA: REFLEXÕES SOBRE A INTERVENÇÃO COM FAMÍLIAS, JOVENS E CRIANÇAS

19.5.17
É com muito entusiasmo que me junto a este painel de gente tão entusiasmada para o papel das famílias, dos jovens e das crianças.
Em Évora, na próxima 3ªFeira.
Imperdível para quem está a Sul! 





Alunos portugueses têm horas a mais de aulas, diz especialista da OCDE

18.5.17
Não só os nossos filhos têm horas a mais como têm pausas a menos.
É urgente, muito urgente fazer-se uma revolução no sistema e é urgente envolvermos todos os que são tidos e achados na equação: famílias, alunos e escola.
A propósito vale a pena ler este artido do Observador e esta entrevista na Rádio Festival


Há disciplinas que deveriam ser incluídas nos curriculos dos nossos filhos. Esta é uma delas!

17.5.17



Desejo que os meus filhos sejam seguros, com uma auto-estima saudável. Que tenham confiança em si, que coloquem as costas direitas e a voz forte, sempre que precisem. E que, mesmo que possam não estar assim tão seguros, que finjam que o são.


Eu tinha 15 anos quando fiz uma formação em teatro e expressão dramática e não me esqueço o que é que essa ação de 2 semanas fez por mim! E por isso estava cheia de vontade de organizar algo semelhante através da Escola da Parentalidade.


E é com muito orgulho que trago este Atelier de teatro ao Porto. Ele será conduzido por uma das grandes promessas do teatro francês, e dirige-se a crianças entre os 9 e os 11 anos. Será realizado exclusivamente em língua francesa e terá a duração de duas semanas, conduzindo a uma apresentação do trabalho realizado.


Esta ação foi construída com dois grandes objetivos. Pretende-se que, num primeiro momento, as crianças possam descobrir a arte dramática, tomem consciência da sua sensibilidade enquanto criadores e espectadores e, num segundo momento, que possam desenvolver o seu instrumento: expressão, voz, corpo, imaginação, relação com o texto. Para que tudo corra bem, aceitaremos apenas 8 alunos.

É, sem dúvida alguma, uma ação que falta no sistema educativo clássico. Pelas inúmeras possibilidades que cria, a Escola da Parentalidade decidiu avançar com ela. Podes descarregar o link da brochura aqui e podes escrever-me para mais infos: info@parentalidadepositiva.com

Este é o grande motivo pelo qual a Parentalidade Positiva está tão na moda

17.5.17

Quando comecei a lidar com o tema da Parentalidade Positiva, há 10 anos atrás, era ainda responsável pelos Recursos Humanos de um grupo de empresas familiares do grande Porto e dava formação, desde 2002, nas áreas da comunicação, motivação. Nessa altura, questionava-me com frequência no que é que tinha acontecido na vida de algumas pessoas com quem lidava, sobretudo nestes contextos profissionais, uma vez que tinha a oportunidade de ver, de forma clara, como é que a sua arquitectura mental estava construída e a forma como se posicionavam na vida.

A questão era sempre a mesma: O que é que tinha acontecido ao potencial que todas as pessoas tinham e que, nalgumas, parecia ter ficado pelo caminho? O que era feito de todos os sonhos e esperanças que um dia tinham tido? Que história e que pessoas tinham tido nas suas vidas?

Então passei a olhar para os pais e à procura da forma como andavam a fazer o seu papel. Procurei ver, através da forma como nos relacionamos, como é podemos potenciar - ou não - uma série de competências para a vida.

Percebi que estamos diferentes da geração que nos educou. Queremos que a relação com os nossos filhos sejas diferente. Não queremos educar com base na educação autoritária, que faz uso dos castigos, das palmadas, das humilhações mas, na ausência de modelos de 'meio termo', caímos na justa oposição que é uma educação sem limites nem regras. E se à primeira vista parece que estamos a demonstrar mais amor pelos nossos filhos, a verdade é que eles não sentem esta permissividade dessa forma. Pelo contrário: passamos a sensação que não nos importamos porque 'deixamos andar'.

Então, a Parentalidade Positiva surge como uma resposta equilibrada, que tem por base o respeito mútuo entre pais e filhos, fator chave para a geração atual de pais. A palmada, o castigo ou o "tudo permitir" são resposta rápidas mas desadequadas, a curto prazo. A Parentalidade Positiva convida-nos a uma maior participação, a um maior envolvimento mas, por ser próxima e permitir a construção da identidade dos diferentes atores, tem resultados mais positivos e a longo prazo.

Se vamos ensinar a educar? Claro que não! Vamos ensinar a comunicar, a olhar para o outro e a saber dar a resposta mais adequada. Sabes, não é porque nasce uma criança que nascem pais a saberem comunicar com ela e a ler os seus pedidos. E há algum mal nisso? Claro que não, desde que haja disponibilidade para aprender.

Próximos ciclos de ações da escola: Algarve | Porto





Final do ano letivo: se tens filhos em idade escolar, este é um post que não vais querer deixar de lado

16.5.17


Nesta entrevista à Rádio Festival falamos sobre indisciplina, concentração, trabalhos de casa, turmas, ritmos alucinantes, metas escolares, foco, grupo, resultados escolares, descanso, baleia azul, escolaridade obrigatória, igualdade de oportunidades, problemáticas diversas e muito, muito mais!
É um convite a uma revolução que é cada vez mais inevitável!

P.S. O ficheiro está no google drive e podes ter de o descarregar. Se isso te for pedido, é porque é mesmo assim!



O síndrome do filho mais velho

15.5.17


'Olha que tens de dar o exemplo, tu é que és o mais velho!'
'Pára com isso, deixa-o estar, não vês que é mais pequeno que tu?'
'Tens de ter paciência, já sabes como é que ele é.'
'Faz as pazes com o teu irmão, dá lá um beijinho, agora sejam amigos!'
'O mais pequeno é um safado e dá cabo do juízo ao mais velho mas ele sabe que tem de ser tolerante, afinal é irmão dele'.

O meu profundo respeito a todos aqueles que são irmãos mais velhos. Muitos de nós já dissemos as frases acima aos nossos mais velhos. Alguns de nós até já as ouvimos justamente porque somos 'os mais velhos' mas isso não nos impede de repetir essas mesmas frases agora, no papel de pais. Por isso convido-te a fazeres uma pequena pausa, a releres todas as frases novamente e imaginares que o filho mais velho és tu. E que nuns casos estavas a arreliar o teu irmão mas noutros estavas sossegado. Como é que te sentes? Como é que te sentirias se, pelo menos, uma vez por dia, ouvisses uma ou duas ou três dessas frases?

Possivelmente sentes-te injustiçada e desanimada porque não há ninguém que te entenda ou veja o teu desalento. Dizem que é suposto teres mais auto-controlo, mais paciência e, porque tens mais força e és o mais velho, não te controlas tantas vezes como os teus pais gostariam, acabas sempre por ser o mau da fita.

Algumas vezes não é fácil ser-se filho mais velho...  O que é que te impede de o dizeres?
-'Filho, por vezes tenho a impressão que não é fácil ser-se o filho mais velho, não é?'
-'Filho, deve ser cansativo estar sempre a ser interrompido pelo teu irmão.'

Acredita que estas duas frases fazem tanto por um filho mais velho porque são pura empatia, compreensão e aceitação.

Quando se é mais velho já se é um modelo. A prova é que o mais novo o copia e ele sabe disso. Podes simplesmente lembrar que o irmão o copia e imita mas sem usares o tom em que ele tem de ser o exemplo. Ele tem de ser ele próprio - o que já por si só é um grande desafio. Liberta-o do resto.

A questão dos irmãos é muito desafiante e interessante. Se te interessas por este tema, convido-te a dares uma vista de olhos aos programas que vou levar a Tavira a 26 de Maio e ao Porto a 13 de Junho.

Os 2 principais motivos pelos quais a adolescência pode ser um período de crise

12.5.17

A adolescência é, por definição, um período de crise, não só para os jovens como também para os pais. Este é um período de definição, construção e também destruição.

E estes são os motivos:

1. É nesta altura que os jovens iniciam um processo de maior autonomia na sua vidas. Primeiro porque é mesmo assim que se quer - que se tornem independentes de nós, afinal é para isso que os criamos.
2. Segundo, porque esta é uma fase de uma maior consciência de si, de transformações físicas, hormonais e emocionais. E esta 'avalanche' de transformações pode provocar comportamentos menos habituais, mais difíceis, justamente porque pode ser difícil lidar-se com tudo isto que está a acontecer dentro de nós.

Há quem se refira a este período como uma altura de crise justamente porque pode não haver a manutenção dos valores do passado. Simultaneamente, muitos pais sofrem com o afastamento dos filhos: este passa a falar menos, a fechar-se mais no seu quarto e a passar mais tempo com os amigos. Estes jovens, por precisarem e desejarem  maior independência - porque precisam de se definir - fazem com que o controlo parental diminua de forma natural, surgindo uma novidade na equação [que talvez existisse já antes] e que é a intimidade, deixando uma vez mais os pais por trás da porta.

E este ponto - a nova definição de papeis - pode ser um problema para nós uma vez que, a partir daqui, e num processo que pode ser lento, ou não, irão confrontar-se com novas situações ainda que algumas possam ser comuns nestas idades.

Estes desafios são muito diversificados e podem estar relacionados com a auto-estima do adolescente, as amizades, as redes sociais e o virtual em geral, a anorexia/bulimia, o bullying, a sexualidade, as drogas, entre muitos outros. E depois há os desafios relacionados com a própria relação pais/adolescentes: de discórdia, oposição, não participação.

Os adolescentes de hoje, também conhecidos por geração Z, são aqueles que entram no mercado de trabalho e ainda têm os avós a trabalharem. São aqueles que nasceram numa altura que os pais trocavam sms e emails e falavam no messenger. É uma geração que nasceu na altura da queda das torres e num país onde a taxa de divórcio não pára de aumentar, tal como o número de alunos por sala. Este artigo do Observador, pela pertinência, vale a pena ser lido.

E os pais, nisto tudo? Precisamos de apoio, de amigos generosos, com quem possamos partilhar os nossos receios e angústias, lembrando-nos que a paciência, o sentido de humor, a generosidade e a liderança empática são os nossos melhores aliados.
A dada altura, se precisarmos de ajuda e acompanhamento, não devemos hesitar, tornando assim esta travessia mais simples e mais fácil. 

Podes continuar a ler mais sobre estes assuntos em Ciclo de workshops Porto | Algarve


Este é o verdadeiro motivo pelo qual as crianças necessitam de regras e limites

11.5.17

Ouvimos, com frequência, que as crianças precisam de regras e limites.
E eu, com frequência, pergunto a esses adultos o motivo pelo qual eles acham que as crianças precisam dessas regras e desses limites.
Respondem-me 'porque sim, porque precisam de entender que não podem ter tudo na vida' e eu penso, cá para comigo que de certeza que isso já perceberam. Por vezes continuo a fazer mais perguntas e concluo que o que leva alguns adultos a acharem que as crianças necessitam de regras e limites tem apenas a ver com um pequeno jogo de poder da nossa parte. Na verdade, não terá apenas a ver com o entendimento do que diziam no início da conversa, que  'na vida há coisas que nem sempre são possíveis' mas antes com um 'vamos lá ver quem é que manda aqui.'

Mas a verdade é só uma: as regras e os limites servem para que a criança possa estar a salvo e se sintam seguras. O meu filho mais novo não mexe na faca de serrilha de cortar o pão porque ainda é pequeno mas a mais velha já o faz. A mais velha ainda não conduz o carro nem vota porque são precisas etapas de desenvolvimento e aquisição de certas competências que só os próximos anos lhe trarão. E é por isso que existem coisas que lhe estão, por enquanto, vedadas. E isto aplica-se a todas as outras dimensões da vida deles [e da nossa]. Quando insistimos que vão para a cama cedo, quando insistimos que respondam com bons modos ou que não se agridam mutuamente. Tudo isto é para que possam estar protegidos e em segurança.

Por isso, da próxima vez que pensares em estabelecer uma regra pensa, de forma clara, qual é a tua intenção e de que forma é que o teu filho conseguirá construir-se dentro dessa segurança. O que é que ele poderá explorar, treinar ou aperfeiçoar dentro desse limite.

Interessas-te por este tema? Gostavas de saber mais sobre ele? Então clica aqui e aqui.



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